Agência Estado
De São Paulo
O estudante de medicina Mateus da Costa Meira pagou caro pela submetralhadora M-11 Cobray com a qual matou três pessoas e feriu outras cinco na semana passada, no MorumbiShopping. A arma custou-lhe R$ 5 mil e foi vendida por um mecânico. Um armamento semelhante pode ser encontrada no mercado negro por preços que variam de R$ 2 mil a R$ 3 mil.
Para o ministro da Justiça, José Carlos Dias, a ação de Mateus Meira serve como mais um argumento a favor do projeto de lei do governo federal que proíbe a venda de armas no Brasil. Mas a submetralhadora M-11 não é vendida em lojas de armas – seu comércio e uso são proibidos no País. Chega ao Brasil contrabandeada pelo ar, por meio de pequenos aviões, ou por terra.
A submetralhadora preferida pelos ladrões é a Intratec. De fabricação norte-americana, a Intratec é compacta como a M-11, mas tem um poder de fogo maior. ‘‘Cerca de 70% das armas que nós apreendemos neste ano são de calibres de uso proibido’’, afirma o delegado Ruy Ferraz Fontes.
O preço pago pelo estudante pela submetralhadora é semelhante ao cobrado pelos traficantes por uma arma muito mais potente, o fuzil norte-americano Colt AR-15, o preferido dos assaltantes de bancos e carros-fortes e dos ladrões de carga. O fuzil pode ser encontrado por R$ 5 mil. Ouros fuzis muito apreciados pelos criminosos são o Rugger e o Mini-Rugger.
A polícia, quando prende um criminoso com uma arma dessas, dificilmente descobre o fornecedor do bandido - casos como o do estudante Meira, que delatou quem lhe vendeu a arma, o mecânico Marcos Paulo Ribeiro Santos, de 25 anos, são raros.
As pistolas de calibre de uso proibido (9 milímetros, 40, 45) podem ser encontradas por R$ 1 mil.
De acordo com o titular da 2ª Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio, delegado Edson Santi, por causa dos preços dessas armas, muitas são emprestadas pelos seus donos para que outras quadrilhas façam assaltos. A maioria dessas armas tem como origem Paraguai e Bolívia.
Fuzis e submetralhadoras também são usados em resgates de presos. Em uma dessas ações, em Ferraz de Vasconcelos, Grande São Paulo, os bandidos utilizaram três fuzis AR-15, duas submetralhadoras HK e um lança-granadas.
O relator do projeto enviado ao Congresso pelo governo sobre a proibição do comércio de armas, deputado Alberto Fraga (PMDB-DF), deu parecer contrário à proposta. Fraga explicou-se dizendo que o problema não está na venda legal de armamentos, mas no contrabando e no comércio de armas antigas entre particulares.

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