Crime exibe desejo mórbido
Londrina Para o antropólogo da Universidade Federal do Paraná (UFPR), Carlos Alberto Balhana, a satisfação mórbida fica clara em crimes como o ataque ao morador de rua de Londrina. "Em situações em que a vítima não tem poder de reação, a crueldade é acentuada. O agressor escolhe o ser humano mais fragilizado para exteriorizar suas tensões", analisou.
Segundo Balhana, casos como este remontam desde os primeiros anos da colonização brasileira. "Índios, negros e mendigos sempre foram alvo de parte da sociedade que reluta em aceitar o diferente", acrescentou.
O assassinato do índio pataxó Galdino Jesus dos Santos, que teve o corpo incendiado por cinco jovens de classe média-alta em Brasília, em 1997, despertou a atenção das as autoridades para este tipo de crime. Porém, as regalias obtidas pelos acusados que, condenados por homicídio, tinham benefícios na cadeia, são apontadas por Balhana como um grave problema. "Esse tipo de ação cria mecanismos para que outros criminosos também sejam beneficiados, o que colabora com a impunidade", condenou. "É necessário cadastrar com maior precisão o perfil destes agressores, mas fica claro um padrão de exibicionismo entre jovens, geralmente influenciados por bebidas alcoólicas ou drogas."
Balhana defende uma maior tolerância com os moradores de rua, além do reforço nas políticas públicas sociais. "A praça é pública e qualquer cidadão tem o direito de estar ali. Os moradores cobram soluções rasas, como a retirada dos mendigos das ruas, mas não se preocupam para onde eles vão", alertou.(C.F.)





