A história de José Luiz Ferreira como cantador de bingos também começou por acaso, há mais de duas décadas. No início ele ajudava apenas na organização, mas se viu obrigado a abandonar a timidez e encarar o microfone para que a festa acontecesse. Hoje sua marca registrada é a criatividade.
Dependendo do número a ser cantado, do local e do embalo dos participantes, os números tomam corpo, voz e até idade de personagens e instituições. ''Se a entidade está fazendo 25 anos, é jubileu de prata, então aproveito a deixa e faço uma graça em torno desse número'', exemplifica. Para ele, não é qualquer pessoa que tem o talento de cantar bingo. ''Não sei se chega a ser um dom, mas que é uma arte para poucos, isso é.''
Segundo ele, para cantar bem um bingo são necessários alguns atributos, como simpatia, carisma, comunicação eficaz, criatividade, bom humor, disciplina, transparência, honestidade e integridade.
Ferreira também dá atenção especial no tempo de pausa entre uma cantada e outra. ''É preciso balancear o tempo de uma pedra para outra. Muitas pessoas jogam apenas com uma cartela, mas as que estão com cinco, seis cartelas, precisam de um tempo maior para se organizar e não comer barriga'', justifica.
E quando a falha acontece e as vaias dos demais participantes soam como num coral ensaiado, o cantador se encarrega de tornar o momento de desconforto em diversão gritando: ''não coma barriga, coma um espetinho que é mais gostoso''. ''Cantar bingo é uma atividade muito gratificante. Sempre fico esperando a oportunidade de ter um novo bingo para poder ajudar'', comenta. (K.A.)

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