São Paulo, 28 (AE) - Fause Haten, que abriu hoje o segundo dia da 8.ª edição do MorumbiFashion Brasil, fez o que todos esperavam: um desfile impecável na forma e no conteúdo. O resultado apareceu em lágrimas. Ao receber jornalistas no camarim, no fim da apresentação, quando falou de sua viagem a Nova York - para onde embarca amanhã (29), para ser o primeiro brasileiro a participar da semana de moda - Haten chorou. "É um momento muito importante; vou para os Estados Unidos mas não vou sozinho, levo toda a indústria têxtil brasileira comigo".
Seu desfile em Nova York, marcado para o dia 07, terá modelos brasileiras - entre elas Ana Beatriz Barros, que fez a campanha mundial da Guess -, música brasileira, tecidos nacionais e as roupas diferentes e criativas do desfile de hoje. Fause revela-se um mestre no corte e no trabalho com tecidos que desenvolve em parceria com indústrias - Douat Têxtil, Scala e Ferreira Guimarães -, usando matéria-prima Amni, o que faz a diferença no espetáculo.
O que Fause chama de "condição do novo luxo" traduz-se em fazer trabalhos manuais, artesanais, com tecidos de alta tecnologia. Faz da estamparia manual seu forte. "Não tenho tema
minha moda é reflexo dos meus momentos", explica. Sua "roupa de intenção" adota rosas, lírios e frutas. Tem o ouro como guia - a cor aparece em peças de lamê. Usa o georgete em blusas, calças e vestidos com espírito de lenços, esvoaçantes. Surpreendente. A coleção de casacos com estamparia feita à mão vem com desenho geométrico, com quadradinhos aplicados um a um. Retrô - A grife Patachou fez uma coleção retrô, com toques de modernidade. Apresentou uma gama de jacquards, alguns inspirados em azulejos dos anos 60, outros na craking art dos anos 80. São peças modernas, coloridas e vendáveis. O espírito Prada esteve presente, de forma positiva. Blusinhas de malha, vestidos colados, cashmere e looks que uniam camisetas e bermudas, tudo de lã bem fininha, com meias três-quartos e sapatos de orientação anos 60 - com fivelas largas no peito do pé e cores antigas. Ficou clara a interferência criativa do estilista Ronaldo Fraga que, a convite da dona da marca, Teresinha Santos, participou da concepção da proposta. A Patachou fez um inverno colorido, feminino, comportado, com cara de antigo e jeitão ano 2000. A sexta-feira no MorumbiFashion também teve desfiles de Alexandre Herchcovitch e Iódice.

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