Criatividade marca desfiles do Morumbi Fashion
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 28 de janeiro de 2000
Por Deborah Bresser e Cynthia Garcia 
São Paulo, 28 (AE) - Fause Haten, que abriu hoje o segundo dia do 8º Morumbi Fashion Brasil, fez um desfile impecável na forma e no conteúdo. O resultado apareceu em lágrimas. Ao falar sobre sua viagem a Nova York para ser o primeiro brasileiro na semana de moda, chorou. "É um momento muito importante; não vou sozinho, levo toda a indústria têxtil brasileira."
O desfile, no dia 7, terá modelos, música e tecidos brasileiros - entre elas Ana Beatriz Barros, que fez a campanha mundial da Guess -, música brasileira, tecidos nacionaise as roupas diferentes e criativas apresentadas ontem. Fause revela-se um mestre no corte e no trabalho com tecidos que desenvolve em parceria com indústrias - Douat Têxtil, Scala e Ferreira Guimarães -, usando matéria-prima Amni, o que faz a diferença no espetáculo.
O que chama de "condição do novo luxo" traduz-se em trabalhos manuais, artesanais, com tecidos de alta tecnologia. Faz da estamparia manual seu forte. "Não tenho tema, minha moda é reflexo dos meus momentos."Sua "roupa de intenção" adota rosas, lírios e frutas. Tem como guia o ouro.Usa o georgete em blusas, calças e vestidos com espírito de lenços,esvoaçantes. Os casacos com estamparia feita à mão têm desenho geométrico e quadradinhos aplicados um a um.
Retrô - A Patachou fez uma coleção retrô, com toques de modernidade. Apresentou jacquards, alguns inspirados em azulejos dos anos 60, outros na craking art dos anos 80 modernos, coloridos e vendáveis. O espírito Prada esteve presente, de forma positiva.
Blusinhas de malha, vestidos colados, cashmere e looks que uniam camisetas e bermudas, de lã bem fininha, meias três-quartos e sapatos anos 60 - com fivelas largas e cores antigas. Ficou clara a interferência do estilista Ronaldo Fraga que, a convite da dona da marca, Teresinha Santos, participou da concepção.
De partida para a semana de moda londrina, Alexandre Herchcovitch apresentou uma coleção que sintetizou ainda mais que a última seu estilo urbano-global. Marrons, bois de rose, cinzas e toques de vermelho vestiram os modelos, que estavam com cara de manequins de cera e peruca em corte cuia de crina de cavalo. Tops emborrachados, pregas bem trabalhadas e inusitadas, desconstruções que, contudo, não tiram o look ocidental da roupa deixaram a platéia em um silêncio reverencial."
Se não vender no Brasil, com certeza vai vender em Londres", disse Renato Kherlakian, que banca os delírios criativos do talentoso Herchcovitch - que está de partida para a semana de moda londrina.
Com a platéia cheia de celebridades, Valdemar Iódice encerrou a maratona com o desfile mais fraco do dia. Para meninas, um visual anos 70. Para rapazes, no que se refere às jaquetas, o look era mais para década anterior. Ele explorou o blue jeans original, com dourados.


