Curitiba- Pelo menos 78% das crianças e adolescentes que vivem nas ruas de Curitiba poderiam ter outra rotina caso tivessem acesso a atividades que lhes proporcionassem prazer. Essa conclusão é ainda mais evidente considerando que 70,8% moram com suas famílias e apenas 8,7% estão nas ruas para buscar o próprio sustento ou de sua família. A dependência das drogas é outra motivação importante na busca das ruas: em média 62% usam algum tipo de droga.
As informações, que servirão de subsídios para a elaboração de políticas públicas para essa parcela da sociedade, fazem parte de estudo, elaborado pelo Centro Brasileiro de Informações sobre Drogas Psicotrópicas (Cebrid) da Universidade Federal de São Paulo (Unifesp), a pedido da Secretaria Nacional Antidrogas (Senad), órgão do Governo Federal. O estudo traça um perfil do uso de drogas por crianças e adolescentes em situação de rua. Foram entrevistados 2.807 jovens entre 10 e 18 anos de idade com esse perfil e que recebem assistência de alguma instituição nas 27 capitais brasileiras.
Em Curitiba, a pesquisa feita com 161 jovens de rua mostrou que a Capital paranaense traz alguns diferenciais em relação às demais, como maior quantidade de adolescentes de sexo feminino que vivem nas ruas e de menor faixa etária: 71,4% dos entrevistados tinham menos de 15 anos. Também foi constatada maior quantidade de meninos de rua que continuam estudando: 67,1% contra 55,8% na média nacional.
Além da frequência escolar, outro resultado que surpreendeu os pesquisadores foi a constatação de que boa parte das crianças em situação de rua ainda mantém contato com a família. Em Curitiba, 70,8% moram com familiares. Essas ligações com a escola e familiares, segundo o estudo, ''funcionam como um escudo protetor contra o uso recorrente de drogas''. Dos 114 que mantêm laços familiares, apenas 12,3% fazem uso diário de algum tipo de droga. Já entre os 47 que efetivamente moram na rua, a proporção sobe para 80,9%.
Curitiba traz, ainda, outro diferencial em relação às demais capitais. No País, em média 54% disseram que já haviam tentado parar de usar drogas, percentual que cai para apenas 30,4% em Curitiba. A pesquisa do Cebrid também mostrou que o solvente (23%) e a maconha (21%) são as drogas mais consumidas pelos meninos de rua em Curitiba, superadas apenas pelo tabaco (37,3%) e o álcool (31,1%).

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