O Brasil ainda tem 2,9 milhões de crianças de 5 a 14 anos de idade trabalhando, ou 9% da população dessa faixa etária, revela a Pnad de 1999.
Em comparação com os números de 1995, houve queda no trabalho infantil: nesse ano, o percentual de crianças ocupadas na faixa etária de 5 a 14 anos era de 11%.
Desses quase 3 milhões de crianças brasileiras que trabalham, 375 mil têm de 5 a 9 anos. Isso representa 2,4% da população dessa faixa etária; em 1995, esse percentual era de 3,2%, o equivalente a 519 mil crianças.
Somente na faixa etária de 10 a 14 anos houve um crescimento, de 1,9%, no número de crianças trabalhando. Isso se deve, segundo o IBGE, ao aumento da atividade agrícola no país. Na agricultura, há muitos casos de crianças que trabalham na propriedade dos pais ou mesmo de terceiros para ajudar a família.
Outra tendência dos anos 90 consolidada pela Pnad é a de que o Brasil já não é mais um país de jovens. As pessoas com menos de 18 anos, que eram 41,3% da população em 1989, representavam 38,7% em 1995 e 36% em 1999.
A queda na taxa de fecundidade, reflexo da industrialização e da entrada da mulher no mercado de trabalho, é responsável por algumas das grandes mudanças no perfil familiar brasileiro.
Em 1940, por exemplo, a mulher tinha em média 6,2 filhos. Em 1970, 5,8 e em 1980, 4,4 filhos.
O número de filhos por mulher vem em queda acentuada: em 1991, a mulher brasileira tinha 2,9 filhos. No ano passado, a taxa de fecundidade havia caído para 2,3.
Com isso, as famílias estão menores: em 1989 tinham 3,9 pessoas, mas, em 1999, já eram de 3,4 pessoas.
A mudança no perfil familiar inclui a maior participação feminina: em 1999, uma em cada quatro famílias (26%) era chefiada por mulher.
Em 1995, as mulheres eram ‘‘chefes’’ de 22,9% das famílias; em 1989, esse número era de 20,1%.
No total da população do país, as pessoas que se disseram brancas representavam 54%. As pardas eram 39,9%, e as negras, 5,4%.
Esses percentuais se alteram de região para região: os brancos eram 83,6% no Sul e 64% no Sudeste. No Nordeste, a maioria da população (64,5%) se disse parda e, no Centro-Oeste, o percentual de pardos (49,4%) permaneceu bem próximo ao de brancos (46,2%). (Agência Folha)

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