Curitiba ''Por que vocês não largam as drogas para que eu possa voltar para casa? Pai e mãe, vocês gostam de mim? O que eu preciso fazer para voltar para casa?''. Com mensagens como estas, 80 meninos de Curitiba e Região Metropolitana que moram na Chácara Meninos de Quatro Pinheiros, em Mandirituba, tentaram expressar o amor que sentem pelos pais e resgatar os laços afetivos com suas famílias. A instituição é voltada a crianças e adolescentes em risco social e de rua que foram separados de suas famílias por drogas, álcool, violência e pela pobreza.
''Os meninos não têm pudor em dizer eu te amo para os pais'', contou o colaborador do grupo de casais da Igreja do Senhor Bom Jesus do Cabral, Onildo Benvenho. Os encontros com as famílias acontecem duas vezes por ano na igreja e outras duas vezes na chácara.
A chácara abriga meninos de 7 a 18 anos. Eles escreveram mais de 6 mil recados para as famílias. Os pais puderam compartilhar dos sentimentos e emoções das crianças e adolescentes ao ler as mensagens em um encontro promovido no último domingo na Igreja do Senhor Bom Jesus do Cabral, em Curitiba.
Segundo o coordenador da Chácara Fernando Francisco Góis, dois meninos chegaram a escrever 620 recados cada um para suas famílias. ''Os meninos estão fazendo de tudo para voltar para casa'', revelou. Góis disse que o encontro teve a participação de 35 famílias. ''Fizemos uma reflexão durante a Semana da Família e alguns meninos chegaram a chorar com saudade de casa'', ele recorda.
Durante o encontro com os pais foram feitas palestras sobre relacionamento e responsabilidade da família. Para ele, o principal resultado da reunião é as famílias aprenderem a dialogar mais com os filhos.
A carrinheira Maria de Fátima Prudence é uma das mães que tem um filho na chácara. ''O meu filho fugiu de casa. Ele usava drogas e álcool'', contou. Ela disse que o menino de 16 anos já está há quatro na chácara. ''Ele melhorou o comportamento, não dá mais trabalho e não usa mais droga''.
Joana (nome fictício), que pediu para não ter o nome revelado por motivos de segurança, vive uma dura realidade com os netos. Ela tem dois netos que já passaram pela chácara. Atualmente, um deles está na instituição. Os meninos ajudavam um traficante a vender drogas. Como um deles ficou devendo uma pistola para o traficante, o acerto de contas seria matar o menino, mas a mãe do menino que acabou sendo assassinada. ''Os traficantes passam as armas para as crianças na hora da revista policial'', ela revela. ''Lá na chácara é bom porque o guri está estudando e ainda tem aula de italiano'', destaca a avó.

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