Crianças também têm vez no Festival de Veneza
Veneza, 08 (AE-ANSA) - Sexo pode ser o tema mais quente da 56ª edição do Festival de Veneza, mas na mostra deste ano as crianças também têm vez.
O diretor chinês Zhang Yimou deixou de lado a polêmica com as autoridades de Pequim e apresentou em Veneza Not One Less, mais um exemplo de como uma história simples ganha força e dramaticidade em suas mãos.
Lasse Hallstrom, de Minha Vida de Cachorro, mostrou seu novo trabalho, The Cider House Rules, adaptação do best seller de John Irving, cujo elenco é encabeçado por Michael Caine.
Not One Less conta a história de Wei Minzhi, uma garota de 13 anos que substitui temporariamente o professor da escola de uma aldeia rural. Ele promete dinheiro para a menina caso nenhum outro aluno abandone a pequena escola enquanto ele estiver fora. Quando uma das crianças vai embora em busca de emprego na cidade, Wei sai à sua procura, numa tarefa que mais se assemelha à procura de uma agulha no palheiro.
Yimou desta vez não usou atores profissionais em seu filme, mas pessoas comuns que fizeram diante da tela o que fazem no dia-a-dia. "Nem mostrei o roteiro, apenas dei algumas orientações", explicou o diretor, que se prepara para dirigir uma nova montagem de A Flauta Mágica, de Mozart, numa casa de ópera alemã. Ele também tem planos para um novo filme, com trama urbana.
The Cider House Rules, de Hallstrom, tem um certo travo amargo com seu labirinto moral em que se cruzam temas como adoção, aborto, incesto e escolhas pessoais. No filme, o veterano Michael Caine interpreta um médico que é também a figura paterna num orfanato da Nova Inglaterra em 1945. Mesmo sendo prática ilegal, ele faz abortos, acreditando serem um mal menor que as intervenções realizadas em más condições de higiene. Seu protegido, vivido por Tobey Maguire, discorda e, com o tempo, abandona o orfanato em que cresceu para construir a própria vida. "Quando você é um ator jovem, fica com a mocinha; quando envelhece, fica com os bons papéis", disse Caine. O ator está rodando Quills, com Geoffrey Rush, de Shine - Brilhante, e Kate Winslet, de Titanic, a história dos últimos dias do marquês de Sade.
De cabelos curtos e levando o marido a tiracolo, Kate também deu o ar de sua graça em Veneza, na estréia de Holy Smoke, novo filme da diretora neozelandesa Jane Campion, de O Piano. Meryl Streep também esteve em Veneza para a estréia, fora de competição, de Music of the Heart, dirigido por Wes Craven. No filme, ela interpreta uma violinista que dá aulas para crianças do Harlem.
Abbas Kiarostami exibiu The Wind Will Take Us, que acompanha um grupo de moradores de Teerã numa visita a uma remota aldeia curda em busca de uma coisa que fica por conta do espectador definir o que seja. "Prefiro fazer filmes que confiem na imaginação do espectador de modo que eles tomem parte do processo", explicou o diretor de 59 anos, que, como sempre, não usou atores profissionais em sua produção.
Veneza serviu de cenário também para a estréia de um novo trabalho de Woody Allen, Sweet and Lowdown, sobre um guitarrista de jazz, interpretado por Sean Penn, que diz ser o melhor músico de todos os tempos. "O personagem passa por uma série de acontecimentos engraçados e angustiantes com amantes, músicos e gângsters numa farsa que ele mesmo constrói", explicou o diretor numa declaração escrita, já que ele não aparece em festivais.
A 56ª edição do Festival de Veneza homenageou também o cineasta Akira Kurosawa, morto há um ano. Takashi Koizumi, seu assistente por 28 anos, apresentou Ame Agaru, em cujo roteiro Kurosawa estava trabalhando quando morreu. Na estréia estiveram presentes o produtor Hisao Kurosawa, filho do grande mestre do cinema japonês, e Shiro Mifune, filho de Toshiro, seu ator preferido.





