Quando a criança começa a competir, a partir dos sete anos, é preciso ficar atento para não forçar a barra. ''A cobrança e o grau de exigência dos treinadores normalmente perde para o dos pais'', alerta o pediatra Ricardo Barros. Um consenso mundial médico recomenda o início da competição a partir dos 13 anos.
Também é comum os pais verem a prática de esporte como um ''investimento'', uma maneira do filho se sobressair e ganhar dinheiro. Mas o excesso de atividade física tem consequências. Crianças, alerta o especialista, também podem sofrer de ''overtraining'' (excesso de treinamento).
As consequências incluem distúrbios do sono, queda na performance, rejeição ao treinamento e problemas alimentares. Além disso, a criança passa a se contundir com mais facilidade e a sofrer lesões musculares com mais frequência, já que músculos e ossos estão no limite. ''O overtraining da criança tem similaridade com o do adulto, mas o que chama atenção é a questão do sono, a criança passa a dormir mal''.
O problema aparece mais na faixa dos 12, 14 anos. O médico teve um paciente com 14 anos que, em um ano, sofreu três fraturas no mesmo osso. Barros alerta para um levantamento da Academia Americana de Pediatra de 2002: 75% dos adolescentes que haviam começado a praticar esportes e competir precocemente haviam abandonado completamente as atividades aos 15 anos. ''A ausência (de esporte) é muito ruim, mas o excesso também'', avalia. (C.P.)

mockup