Crianças também sofrem de dor de cabeça
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domingo, 24 de fevereiro de 2008
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
A frequência de dor de cabeça em crianças pode ser tão comum quanto o espanto de adultos em relação a isso. Mas, se a tendência dos pais é primeiro não acreditar, depois é exagerar e achar que o filho é vítima de um caso grave. Antes de ir de um extremo ao outro, no entanto, acalme-se: cefaléia infantil é fato muito mais comum e benigno do que se imagina. E o melhor: há maneiras de prevenir as crises e tratá-las.
A pediatra Solange de Fátima Vidigal, de Londrina, atesta que a dor de cabeça é uma das causas mais comuns de consulta ao pediatra. ''São três grandes grupos de dores, as músculo-esqueléticas, a abdominal, e a cefaléia, como causas de preocupação das famílias'', completa o neuropediatra Efigênio Sílvio de Castro Júnior, de Londrina.
Ele ressalta que frente a uma dor de cabeça, o comportamento dos pais é bastante parecido - em um primeiro momento a família nega a dor, não aceita. ''Acha que é um fenômeno que não é verdadeiro, que a criança está fazendo manha, para ter algum benefício'', diz.
Em um segundo momento, leva a criança para uma avaliação oftalmológica, ou para investigar a possibilidade de sinusite. ''A família acaba se preocupando, mas não existe uma relação direta entre vício de refração e queixa de dor de cabeça. Trabalhos científicos têm colocado uma pequena relação entre a cefaléia e problemas de visão'', atesta, lembrando que a sinusite tem características próprias, como a dor facial, com alguns pontos dolorosos, e a relação com febre e secreção.
Em um terceiro momento, vem a preocupação com doenças graves, como tumores e aneurisma, e os pais acabam levando a criança ao neurologista. ''Felizmente as dores de cabeça são benignas em mais de 80%, 90% das vezes. As dores de cabeça graves, que vão significar uma lesão, representam 1% a 2% dos casos'', afirma o neuropediatra.
Entre os tipos de cefaléia infantil, as mais comuns são a enxaqueca e a tensional. ''Elas representam quase 80% a 90% de todas as dores de cabeça na criança'', ressalta o médico. Segundo a pediatra, várias síndromes febris, como amidalite e otite também podem causar cefaléia.
A enxaqueca tem várias causas e vários subtipos, segundo o neurologista, e pede um diagnóstico diferencial. Ele explica que além da incidência familiar, alguns fatores como alimentação, privação do sono, e estresse físico e emocional, podem desencadear as crises. Outra característica da enxaqueca é a dor que lateja e que pode doer na região temporal, embora nas crianças seja mais frequente a do tipo bifrontal. Ainda podem estar associados fenômenos como alteração do campo visual e sensação de amortecimento da mão. ''É comum, neste caso, a criança falar 'meu coração está batendo na cabeça'', comenta.
Já a do tipo tensional, causada principalmente por contratura muscular, costuma causar dor de modo difuso na cabeça. ''É uma dor muito frequente, que não dói em um ponto específico, e acomete mais no final da tarde'', avisa o neuropediatra. A causa, segundo o médico, pode estar relacionada ao estresse do dia-dia. ''Hoje a criança é muitas vezes um executivo, tem várias atividades, e no final do dia ela está cansada'', avisa Castro. ''Aquela que fica muito tempo no computador ou no videogame também vai ter um desgaste muscular maior e apresentar dor'', avalia a pediatra.


