Dificuldades na escola, excesso de timidez, agressividade e hiperatividade - será que são problemas que as crianças conseguem superar sozinhas ou é preciso uma ajuda psicológica? Quando levar a criança à terapia é uma questão que costuma dividir pais e médicos, que muitas vezes acreditam que o problema ''vai passar''. Mas uma terapia psicológica bem indicada pode ajudar a criança a resolver dificuldades, além de melhorar sua auto-estima e sua qualidade de vida.
A psicóloga especialista em psicoterapia comportamental infantil Cynthia Borges de Moura, professora do Departamento de Psicologia Geral e Análise do Comportamento da Universidade Estadual de Londrina (UEL), explica que a opinião geral de pais e médicos é que as crianças teriam grande capacidade de se adaptar, e que isso as levaria a superar as dificuldades ''naturalmente''.
Mas esse pensamento, de que ''é apenas uma fase'', pode levar os pais a adiar a busca pela terapia, e fazer com que ela só seja considerada uma opção quando a situação já é insustentável. ''Nestes casos o tratamento torna-se mais complicado e mais demorado do que deveria ser'', aponta Cynthia.
Segundo a psicóloga Elsie Pereira da Silva, de Londrina, especialista no tratamento de crianças e adolescentes, não dá para explicar o que é ou não normal na atitude de crianças, até porque cada uma tem suas particularidades. Mas é possível identificar alguns sinais de que ela precisa de acompanhamento psicoterápico.
Comportamentos como comer demais, mau desempenho escolar, chorar facilmente, timidez excessiva, dificuldade para fazer amigos, explosões e acessos de raiva, agressividade, tiques, pesadelos, medos e queixas frequentes de dores de cabeça, de barriga, ou outras, são alguns desses sinais. ''Mas esses comportamentos são apenas indicadores e devem ser avaliadas por um psicólogo'', ressalta Cynthia. ''Tudo o que preocupa os pais ou que eles estejam vendo que a criança está sofrendo é motivo para procurar um psicólogo'', aponta Elsie.
Para Cynthia, os problemas psicológicos da infância têm se tornado ''mais frequentes do que se imagina''. Elsie aponta inclusive reflexos da sociedade atual, como a insegurança, gerando medos excessivos nas crianças. ''O tema está presente nos noticiários, as próprias crianças tem que ficar mais 'trancadas' em casa pela insegurança das ruas e os pais têm medo. Tudo isso gera um clima de insegurança e medo'', afirma, ressaltando que é normal as crianças terem algum tipo de medo, mas não os paralisantes, que faz com que elas deixem de fazer coisas de que gostam.
Quando começam os primeiros problemas da criança, Cynthia ressalta que o primeiro profissional a ser procurado é o médico, que muitas vezes faz exames de sintomas físicos, mas não recomenda uma ajuda psicológica. ''Uma das razões talvez seja o desconhecimento dos benefícios que uma psicoterapia pode trazer à criança em seu desenvolvimento e à sua família'', pondera.
Cynthia argumenta que, mesmo quando os problemas da criança ocorrem em função do contexto familiar, é interessante encaminhá-la para a terapia, ''o que aumentaria as chances dos próprios pais procurarem ajuda''.

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