Kibumba (AE-REUTERS) - Com 15 anos, Sebastien Musimbi já lutou em duas guerras entre rebeldes e marchou a pé através do coração da áfrica com soldados com o dobro de sua idade.
Segurando uma submetralhadora de fabricação egípcia, Musimbi diz que não tem tempo para brincadeiras de criança. "Quando jogamos é apenas para perseguir o inimigo nas florestas", disse Musimbi em uma sinuosa estrada que serpenteia através das férteis - e perigosas - planícies vulcânicas da província problemática de Kivu, no norte da República Democrática do Congo. A estrada tem sido alvo de frequentes emboscadas e as florestas nas proximidades estão repletas de bandidos armados com porretes e armas semelhantes que fazem assaltos às vilas durante a noite. Mas Musimbi diz que é seu trabalho proteger a população das milícias de assaltantes e não tem medo de sair com as patrulhas para caçá-los. "Eles ainda estão escondidos nos vulcões e nós precisamos combatê-los. É meu trabalho proteger as pessoas", ele disse.
Oficiais militares estimam que cerca de 5 mil crianças- soldados - conhecidas localmente como "kadogo" - atuam no exército congolês, cujas fileiras foram divididas por uma rebelião que começou em agosto. Alguns estão lutando como rebeldes com tropas que pegaram em armas contra o presidente Laurent Kabila no leste, enquanto outros são combatentes no oeste, região comandada pelo governo. "Eles são bons combatentes porque são jovens e querem se mostrar. Eles acham que é tudo um jogo, então não têm medo", disse o coronel rebelde Nura Songolo.
Os Kadogos começam - em alguns casos apenas com nove anos - como corredores ou guarda-costas de oficiais. Alguns trabalham como carregadores ajudando as tropas a levar água e munição, outros trabalham como espiões. "Eles são muito bons em colher informações. Você pode mandá-los atravessar as linhas inimigas e ninguém suspeita de nada por eles serem tão jovens", disse Songolo. Mas tão logo aprendem a usar armas, as crianças-soldados são usadas para lutar.
Comandantes rebeldes antigos que necessitam de apoio em lutas convocaram abertamente crianças-soldados para apoiá-los. Políticos rebeldes dizem se opor fortemente à pratica, mas manter as tropas rebeldes sem crianças é difícil. Muitos jovens recrutas são órfãos que entram voluntariamente, procurando proteção do exército e um lugar na sociedade depois de seus pais terem sido mortos em conflitos civis. Ser soldado dá o direito de carregar uma arma, que pode ser uma garantia de vida e comida para famílias num país onde, em algumas partes, o estado deixou de operar de forma eficiente há muito tempo.
Mas uma vez recebida a liberdade para matar, as crianças podem sofrer problemas psicológicos e geralmente têm dificuldades para se integrar à sociedade civil. "É verdade que eles podem segurar uma arma e lutar, mas você acaba com a educação da criança", disse Songolo, adicionando que ele é contra a prática mas tem visto muitas crianças-soldados no país. "Suas mentes ficam ruins...eles se tornam criminosos quando saem", disse Songolo.
As Nações Unidas estimam que mais de 300 mil crianças com menos de 18 anos estão servindo como combatentes em conflitos ao redor do mundo, sendo que um número substancial delas está na áfrica. As crianças também constituem um grande número de casualidades. A ONU diz que desde 1987 cerca de dois milhões foram mortas em conflitos armados, enquanto três vezes este número foram seriamente feridas. Usando um chapéu laranja e roxo e uma roupa camuflada maior do que ele, com duas facas presas na cintura, Musimbi diz que se tornou um soldado com 13 anos.
Depois de se juntar aos rebeldes em Goma, liderados pelo então líder guerrilheiro Kabila, ele foi enviado para a cidade de Kisangani, ao norte, onde lutou com as tropas rebeldes e percorreu centenas de quilômetros através de florestas no antigo Zaire. Em maio de 1997, Musimbi chegou com os rebeldes vitoriosos na capital Kinshasa, ajudando a derrubar um dos ditadores africanos que mais tempo ficou no poder, Mobutu Sese Seko. Depois da guerra, ele foi mandado de volta para o leste para ajudar a guardar a principal estrada que liga Goma a Kibumba. A estrada passa por uma cadeia de vulcões nas fronteiras leste do Congo com Uganda e Ruanda e agora está repleta de soldados, muitos deles crianças, que se dirigem aos carros que passam com armas pedindo cigarros e trocados. "Não tenho interesse em ir para a escola", disse Musimbi com orgulho. "Eu lutei e matei muitas pessoas. Sou um soldado, e é toda a experiência de que preciso".

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