Crianças sofrem com falta de saneamento
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quinta-feira, 29 de novembro de 2012
Lucio Flávio Cruz <br> Reportagem Local 
Em 2011, 48,5% das pessoas até 14 anos de idade (21,9 milhões) no Brasil residiam em domicílios em que pelo menos um serviço de saneamento (água, esgoto ou lixo) era inadequado. O dado faz parte da Síntese de Indicadores Sociais do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) divulgados ontem.
Cerca de 4,8 milhões de crianças (10,7%) viviam em casas em que mais de um desses serviços eram inadequados, sendo que 17,2% delas eram da Região Nordeste e 3,7%, da Sudeste. Segundo o IBGE, a maior parte da população até 14 anos de idade faz parte de famílias com menor poder aquisitivo: 60,8% vivem com rendas até meio salário mínimo.
Em Londrina, de acordo com dados da Sanepar, todos os imóveis têm água tratada e a rede de esgoto chega a 86,88% dos estabelecimentos. Segundo a Companhia Municipal de Trânsito e Urbanização (CMTU), a coleta do lixo domiciliar alcança todas as casas do município, além dos distritos e algumas vilas rurais.
Apesar destes números, é possível encontrar famílias em Londrina que não dispõem destes serviços básicos. Um exemplo é a dona de casa Kátia Aparecida de Souza, 30 anos. Ela mora com o marido e o filho de três anos no assentamento Nossa Senhora Aparecida (zona norte). Kátia está grávida de sete meses.
''A situação aqui é muito ruim. Aparecem muitos bichos, ratos e baratas aqui nas nossas casas. As crianças sofrem demais'', relatou a dona de casa. No assentamento não há tratamento de esgoto nem coleta de lixo.
A recicladora Roseli Maria de Jesus, 37 anos, divide um barraco de dez metros quadrados com dois filhos de sete e cinco anos e a sogra. ''Meus filhos já tiveram várias vezes diarreia. Talvez seja pela qualidade da água ou pelas condições que vivemos aqui'', colocou a moradora.
No assentamento Nossa Senhora Aparecida, as famílias sofrem com a falta da coleta domiciliar e se viram como podem para se eliminar o lixo. ''Aqui ou a gente queima o lixo todo ou joga na fossa'', frisou a operadora de caixa Silmara de Menezes Alexandre, 22 anos.
De acordo com a CMTU, em locais como o Nossa Senhora Aparecida são disponibilizadas lixeiras coletivas para atender os moradores. ''São regiões de difícil acesso, por isso o caminhão não entra nos bairros. A frequência do recolhimento segue o que acontece nos demais bairros da região'', explicou o fiscal do contrato da coleta de lixo da Companhia, José Carlos de Souza.
Aumento de doenças
''A falta de condições básicas de saúde como água, esgoto e coleta de lixo vão aumentar o número de doenças, sobretudo as transmissíveis. Nos locais que há ausência destes equipamentos com certeza o nível alimentar destas crianças também é precário'', analisou o pediatra de Londrina, Álvaro Luiz de Oliveira.
Para ele, o sistema de saúde no Brasil foca no tratamento das doenças e não na prevenção delas. Isso vai gerar um gasto muito maior aos cofres públicos no futuro quando estas crianças entrarem nas filas dos postos de saúde e hospitais.
''Além de que estas crianças, por todas estas dificuldades enfrentadas, terão um rendimento intelectual menor e vão comprometer toda a sua vida profissional'', ressaltou.
Creches
A pesquisa do IBGE chama a atenção ainda para o deficit de creches no país, sobretudo, para as crianças da camada mais pobre e as mães que precisam trabalhar e/ou estudar, mas não têm com quem deixar os filhos.
Entre as mulheres com filhos até 3 anos de idade cujos filhos frequentam creche, 71,7% estavam ocupadas em 2011. No mesmo período, apenas 21% das crianças até 3 anos tinham acesso à creche. Em Londrina, o deficit de vagas na educação infantil é de mais de quatro mil vagas.
Entre as crianças brasileiras de 4 e 5 anos de idade, a taxa de escolarização é melhor do que entre as crianças mais novas.
Em 2011, quase 77,4% das crianças nessa faixa etária frequentavam a escola, enquanto em 2001 esse percentual era 55,4%. Entretanto, a média brasileira ainda está baixo da dos países-membros da Organização para a Cooperação e o Desenvolvimento Econômico (OCDE), que é 90%. (Com Agência Brasil).



