Curitiba- Crianças com até 10 anos de idade representam mais de 30% do total de vítimas de queimaduras. No ano passado, pouco mais de 10 mil pessoas foram atendidas no ambulatório de queimados do Hospital Evangélico de Curitiba, referência estadual no setor. Desta população, aproximadamente um terço era composta de crianças.
Ontem, no Dia Nacional de Luta Contra Queimaduras, a organização não-governamental (ONG) Criança Segura realizou um evento na Boca Maldita, no Centro da capital, para informar a população sobre formas de evitar acidentes. O trabalho teve apoio da ONG Centro de Reabilitação Emocional e Reintegração Social - Pós-traumáticos queimados (Cerereso), do Hospital Evangélico, da Secretaria Municipal da Saúde e do Corpo de Bombeiros.
Segundo dados do hospital, escaldadura e acidentes com gordura quente, superfícies aquecidas, fogo ou álcool são as ocorrências mais comuns. ''Nesta época do ano, há mais acidentes com líquidos quentes, devido ao frio, e também com bombinhas e fogos de artifício, típicos das festas juninas'', explicou Alessandra Françóia, coordenadora regional da Criança Segura. ''Em todas as épocas do ano, o perfil mais comum de vítima de queimadura é menino de seis anos, que se acidenta na cozinha''.
Quando se fala em acidentes do tipo, a prevenção é sempre o foco (veja quadro). A ONG Cerereso, por sua vez, trabalha na recuperação emocional do paciente depois que o mal já está feito. ''Trabalhamos a reconstrução da auto-estima da vítima de queimadura. O que ouvimos com frequência são desabafos de pessoas que ficaram com marcas e que dizem que nunca mais foram à praia, a um piquenique'', afirmou Sonali Lippmann, voluntária do Cerereso.
''Um caso que nos emocionou recentemente foi o de uma criança de três anos que, após sofrer uma queimadura, parou de falar e voltou a usar fralda. Na quinta sessão de terapia, ela conseguiu conversar e pediu para ir ao banheiro'', relatou a voluntária.

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