Crianças são aliadas no combate ao tabagismo
PUBLICAÇÃO
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba - Crianças com idade entre 8 e 9 anos têm o sentido moral e ético bastante aguçados. Por essa razão, o Instituto de Oncologia do Paraná (IOP) decidiu buscar, junto a essa faixa etária, aliados para o combate ao tabagismo. Com a apresentação da peça ''Tabagismo: uma questão de consciência'', em escolas públicas e particulares de Curitiba e região metropolitana, o IOP quer estimular a discussão sobre os males do fumo.
''Atingindo o público jovem, podemos evitar inúmeros casos de câncer no futuro, pois o cigarro está diretamente relacionado com neoplasias de pulmão, boca, laringe, faringe, bronquite, infecções respiratórias e derrame cerebral'', avaliou o diretor do IOP, José Clemente Linhares, ao falar da iniciativa inédita por parte da entidade. Segundo ele, cerca de 80% dos adolescentes curitibanos, entre 11 e 15 anos, já experimentaram cigarro, o que representa cerca de 75,2 mil jovens.
A diretora da peça, Rosângela Craveiro, do Grupo de Teatro Celeiro, explica que a encenação envolve dois personagens -o adolescente André e sua consciência. O garoto vive em conflito sobre a relação com um grupo de amigos, que são ''bacanas'', mas fumam. O texto é curto -cerca de 10 minutos- e, além da questão ética, passa informações sobre o tabagismo como, por exemplo, as substâncias tóxicas presentes no cigarro. O uso de termos técnicos, segundo Rosângela, foi proposital para instigar os questionamentos.
Segundo a médica do IOP, Paola Pedruzzi, estudos comprovam que o cigarro é responsável por 95% das mortes de câncer de pulmão, 70% por enfisema pulmonar e 25% por doenças cardiovasculares. ''Mesmo assim, é cada vez maior o número de usuários, especialmente, entre os jovens'', acrescentou.
Os exemplos próximos de doenças graves provocadas pelo cigarro não impediram que o produtor de eventos Diego José Martinez Diaz, 21 anos, ingressasse no vício. A mãe teve câncer de boca e o avô morreu com problemas cardíacos. ''Culpa do trabalho estressante'', apontou ele. Mesmo sabendo dos riscos, Diaz afirmou que não pensa em parar de fumar.
Para o sócio de Diaz, o produtor Marcelo Costim, 25 anos, o cigarro deveria ter o mesmo tratamento das drogas ilícitas. Ele admitiu que experimentou cigarro aos 15 anos. ''Mas isso foi coisa de adolescente'', emendou, já que hoje não suporta nem o cheiro.
Serviço- Para mais informações sobre a peça e como levar o projeto para outras escolas, entre em contato com o IOP pelo telefone (41) 3353-7360.


