Crianças são 30% de mão-de-obra de pequenas propriedades rurais
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quarta-feira, 27 de fevereiro de 2002
Lucia Martins Agência Estado 
Rio - Pesquisa da Fundação Getúlio Vargas revela que 30% da força de trabalho das pequenas propriedades rurais de cinco Estados brasileiros é de menores de 14 anos. O estudo, feito entre agosto e setembro de 2001, mostra ainda que nesses locais as mulheres representam apenas 31,3% da mão-de-obra.
Goiás e Pernambuco, segundo informações colhidas em 2.055 micro e pequenas unidades agropecuárias (entre 10 e 100 hectares) em 25 municípios de cada um dos cinco Estados, são os campeões em trabalho infantil, com 40% e 35% de toda a mão-de-obra constituída por crianças e adolescentes até 14 anos.
São Paulo é o Estado que mais emprega mulheres, com 45% do total de sua força de trabalho formada por pessoas do sexo feminino e o que tem menos trabalho infantil (14,9%), seguido do Rio de Janeiro (18,9%). Minas Gerais apresenta o menor porcentual de mulheres nessas propriedades agropecuárias (24,1%).
Absurdo - Acho que a pesquisa mostra um número exagerado de estabelecimentos rurais com trabalho infantil. Qualquer número de mais de um dígito é um absurdo, afirma Regis Alimandro, economista da Fundação Getúlio Vargas e coordenador do estudo.
Agrotóxicos - Na pesquisa, 51% dos entrevistados responderam que conhecem o equipamento adequado para usar agrotóxicos. Mas só 15% afirmaram que recolhem as embalagens do agrotóxico e devolvem ao fornecedor, como manda a norma de segurança. A segunda pergunta desmente a primeira e mostra que muitos agricultores fazem uso dos inseticidas de forma errada, conta Alimandro.
Educação - O estudo também levantou que, em média, o responsável pelo estabelecimento tem 6,4 anos de estudo formal. Entre os criadores, o grau de escolaridade é um pouco maior e chega a 6,9 anos e entre os agricultores baixa para 5,9 anos de estudo. Essa média varia muito nos cinco Estados. O RJ tem agricultores, agropecuaristas e pecuaristas com a maior média de anos de estudo (6,8, 7,2 e 7,8, respectivamente).
Minas e Pernambuco são os Estados com as médias mais baixas. Os agricultores mineiros têm apenas 4,8 anos de estudo em média e os pernambucanos, 5.


