A preocupação com as formas do corpo, antes verificada junto com os conflitos da adolescência, agora chega mais cedo. Uma pesquisa realizada na Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) mostra que, a partir dos seis anos, já há crianças insatisfeitas com o próprio corpo.
O estudo da pediatra Ana Elisa Fernandes, do Hospital das Clínicas de Belo Horizonte, ouviu 1.183 alunos, de escolas públicas e privadas, entre seis e 18 anos. A pesquisa começou em 1998 e foi concluída em agosto.
Além de um questionário sócio-econômico, foi apresentada aos estudantes uma escala de silhueta onde cada um deveria apontar qual o corpo mais parecido com o seu e, depois, qual aquele que eles queriam ter.
O resultado é um tanto quanto assustador. Pelo menos 62,6% estão insatisfeitos com o próprio corpo. A vontade de mudança é mais presente em crianças de seis a nove anos do que entre adolescentes de 14 a 18 anos.
Para a pediatra, a pressão dos pais pode estar diretamente ligada a essa insatisfação. ''Pais extremamente preocupados com o corpo, passam isso para os filhos. Além disso, não pode haver comparação com outros amigos'', explica ela.
Por outro lado, a pesquisa revela que, mesmo insatisfeitos, 80,1% dos estudantes têm Índice de Massa Corporal (IMC) adequado. Apenas 5,2% foram considerados desnutridos, 9,9% tinham sobrepeso e outros 4,9% são obesos. ''Isso mostra que a preocupação com o corpo é fator estético. As crianças não estão preocupadas com a saúde e sim com o formato do corpo que julgam ou é apresentado a elas como o ideal'', afirma Ana Elisa.
Entre as meninas o desejo é de emagrecer. Entre os meninos, de ganhar peso, o que está diretamente relacionado com o ganho de massa muscular, segunda a pesquisadora. Na classe mais baixa, os estudantes pesquisados querem engordar e quanto mais alta a classe, maior o desejo de perder peso.
No entanto, de acordo com Ana Elisa, todo mundo se alimenta muito mal. Frutas, fibras e vegetais ficam de fora do cardápio da maioria destas crianças e adolescentes. A dieta, geralmente, é baseada em gorduras e doces, muitos doces.

Hábitos saudáveis - Na busca pelo corpo perfeito, de forma saudável, vale algumas dicas, principalmente para os pais. Segundo a pediatra, comer guloseimas de vez em quando está liberado. ''O que não pode acontecer é isso virar um hábito", diz ela. Os pais devem manter em casa alimentos saudáveis. ôSe uma criança abre a geladeira e todo dia tem refrigerante e no armário biscoitos recheados, é isso que ela vai querer comer. Por outro lado, se tem frutas e sucos naturais, ela vai se alimentar com o que tem'', explica.
Além disso, segundo a pediatra, é preciso incluir no rol de atividades dessas crianças os exercícios físicos. Para quem não gosta, vale a dica de incluir isso na rotina dos estudantes de forma lúdica, como um passeio no parque de bicicleta.

mockup