Crianças reconhecem acusado de crimes sexuais
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quarta-feira, 14 de abril de 1999
Agência Folha 
Cinco meninas reconheceram ontem em Natal (RN) o auxiliar de serviços gerais Misael Pereira da Silva, 30 anos, como sendo o autor dos crimes sexuais atribuídos ao maníaco da bicicleta - homem que matou duas crianças e estuprou ou molestou pelo menos outras 11 nos últimos oito meses na cidade.
Silva foi preso sábado em Extremoz (a 6 km de Natal), ao lado do corpo de uma de suas supostas vítimas, Maranne de Oliveira Costa Fernandes, de 8 anos. A garota foi estuprada e morta por estrangulamento e o acusado confessou os crimes.
Segundo ele, os 13 ataques ocorreram sempre no início da noite, durante o percurso que fazia de bicicleta, de sua casa para o trabalho. Ele disse que abordava as meninas na rua e as levava na garupa até regiões pouco habitadas. Para atrair as crianças - todas com idades entre 6 e 11 anos -, Silva, que é casado e pai de dois filhos, afirmou em depoimento à polícia que usava bichinhos de pelúcia, brinquedos e doces.
Durante a sessão de reconhecimento, três meninas vítimas de ataques sexuais choraram ao apontar o auxiliar como o responsável pela violência. As outras duas crianças, testemunhas do aliciamento de mais duas vítimas - uma delas assassinada -, também disseram que Silva foi o autor das abordagens.
A sexta menina que deveria participar do reconhecimento não pôde comparecer por estar traumatizada , disse a delegada da Delegacia da Mulher de Natal, Rossana Roberta Pinheiro de Souza. A garota, de 9 anos, foi estuprada e sofreu tentativa de estrangulamento há seis meses. Desde então, não quer sair de casa e recebe tratamento psicológico. Para a polícia, a menina só sobreviveu porque desmaiou durante o ataque.
O local do reconhecimento foi mantido em sigilo até a chegada do acusado, para evitar eventual tentativa de linchamento. Silva, que está preso na Delegacia de Entorpecentes, foi escoltado por cinco carros da Polícia Militar e dois da Polícia Civil.
A identificação foi feita individualmente. Silva foi colocado em uma sala espelhada com mais quatro homens, entre eles um suspeito detido antes da prisão do acusado. Todos ficaram de frente, de perfil e de boné e trocaram de lugar a cada sessão. Segundo a delegada, o auxiliar foi identificado todas as vezes pelas meninas. Ele ficou impassível , disse.
Para a polícia, a prisão de Silva vai estimular outras eventuais vítimas de violência sexual a denunciar os ataques. Só hoje (ontem) de manhã recebi dois telefonemas , afirmou a delegada.


