CRIANÇAS podem conviver bem com o DIABETES
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domingo, 20 de maio de 2007
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
É quase unanimidade: criança gosta de bala, chocolate, cachorro-quente, e detesta injeção. Mas, e quando ela tem diagnosticado diabetes tipo 1? Como conciliar as delícias da infância com a responsabilidade de fazer uma dieta equilibrada, controlar a glicemia (quantidade de açúcar) no sangue e fazer uso de insulina diariamente?
O endocrinologista pediátrico Claudinei da Costa, de Londrina, concorda que ''é complicado mesmo'' para a família e a criança o diagnóstico do diabetes. Principalmente porque em crianças o mais comum é o diabetes tipo 1, em que a pessoa é insulino-dependente.
O diabetes é uma doença crônica que ocorre quando o organismo perde a capacidade, total ou parcial, de secretar insulina, hormônio responsável pela regulação do açúcar no sangue. No tipo 1, que pode aparecer até em bebês, a insulina deixa de ser produzida e precisa ser reposta.
Feito o diagnóstico, começam na sequência o controle glicêmico, com picadas nos dedos várias vezes ao dia para medir o açúcar no sangue, e o uso de insulina, com caneta ou injeção, também várias vezes ao dia. ''O controle da glicemia, por mais doloroso que seja, é fundamental, porque é através dele que vai se determinar a dosagem da insulina ou se é preciso controlar melhor a alimentação''.
O diagnóstico mexe com a vida de toda a família, mas é possível, segundo o médico, superar o impacto inicial e se adaptar à rotina de controle do diabetes. Mas isso, alerta, ''depende muito da atitude dos pais''.
Se os pais passam segurança e tranquilidade aos filhos, a tendência é que com o tempo a criança se adapte e acabe achando que aquilo é normal na vida dela. Isso, segundo o médico, reflete até no controle da doença. ''Quando há essa tranquilidade, o controle do diabetes vai bem, quando não, fica mais difícil controlar'', afirma.
Por isso, salienta Costa, também é importante que o profissional médico dê estrutura para que os pais possam passar essa segurança aos filhos. ''Grupos de pacientes, onde pais e filhos recebem orientações sobre a doença, são importantes não só pelas informações, mas para a criança ver que ela não é a única com diabetes, e os pais, que não são os únicos com um filho com a doença'', ressalta.
Para o adolescente que tem o diabetes tipo 1 diagnosticado, explica o endocrinologista, é preciso um pouco mais de compreensão. ''Ele não quer ser diferente dos outros, fica constrangido e o profissional tem que ter essa compreensão'', avalia. Mas é um erro não informar aos amigos, parentes e professores que tem a doença. ''Todos têm que saber, porque pode haver uma intercorrência e as pessoas não vão saber como agir'', alerta.
Os sintomas da diabetes tipo 1 são agudos - a ingestão de água aumenta muito, e a criança também passa a fazer muito xixi. Além disso, ela está sempre com fome, cansada e perde peso rapidamente.
Quanto às balas, frituras, doces e cachorros-quentes, o endocrinologista lembra que, hoje, mesmo as crianças que não têm nenhuma patologia precisam se alimentar de maneira saudável. Para o paciente diabético, é possível, ''de vez em quando'', fazer uso de produtos dietéticos. ''Dá para conviver bem com o diabetes, dá para levar uma vida normal, desde que se aceite'', afirma.


