Crianças desenham e pintam faixas e cartazes durante manifestação, promovida ontem em frente ao Congresso Nacional, em Brasília, contra a aprovação do novo Código Florestal
Cerca de 50 pessoas participaram ontem de um protesto em Brasília contra a aprovação de relatório para um novo código florestal. A manifestação, reunindo crianças e adultos, teve como mote o tema ‘‘mãe terra’’. O ato ocorreu no gramado em frente ao Congresso e foi promovido por organizações ambientalistas. O relatório que motivou o protesto foi aprovado no último dia 10. O texto reduz as áreas de reserva legal de 80% para 50% na Amazônia, e de 50% para 20% no cerrado. No dia seguinte a sua aprovação, o presidente Fernando Henrique Cardoso afirmou que vai vetar o código florestal caso o texto final do Congresso seja o mesmo do relatório aprovado.
O presidente do Senado, Antônio Carlos Magalhães (PFL-BA), que está em Lisboa recebendo homenagens do parlamento português, disse ontem que o projeto do deputado Ronaldo Caiado (PFL-GO) permitindo o aumento do desmatamento da Amazônia poderá ser colocado em votação dentro de dez dias. ‘‘A tendência é votar no dia 24, mas não está marcado’’. Magalhães defendeu a colocação na pauta do projeto: ‘‘Esses assuntos muito controversos tem que ser discutidos e votados. Não podem ficar a vida toda parados’’.
O presidente do Senado afirmou que não depende apenas da sua vontade. ‘‘A votação é pelas duas casas, a Câmara e o Senado. Vou conversar com os líderes a respeito’’.
Magalhães não quis tomar uma posição sobre o projeto, que permitiria retirar a cobertura vegetal de uma área equivalente a duas vezes o Estado de São Paulo. ‘‘Não vou opinar porque esse é um assunto muito controverso. As pessoas da Amazônia são favoráveis, como o governador Gilberto Mestrinho, o Ronaldo Caiado e o Jonas Pinheiro. As ONG e o ministro Sarney filho são contra’’.
Hoje, o programa oficial do presidente do Senado é na parte da tarde. Magalhães tem um encontro com o primeiro-ministro português Antônio Guterres, às 16 horas, e duas horas depois reúne-se com o presidente Jorge Sampaio. ‘‘Vou receber do presidente Sampaio uma comenda post-mortem ao Luís Eduardo’’, contou. Pela manhã, ele vai ver uma exposição, acompanhado pelo embaixador brasileiro em Lisboa.

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