Crianças acampadas até ontem em frente à Fazenda Córrego da Ponte, em Buritis (MG), participaram do protesto do Movimento dos Sem Terra (MST) contra o presidente Fernando Henrique Cardoso. Elas agrediram, com pedaços de pau, o boneco que representava Fernando Henrique e foi enterrado numa cova aberta diante da porteira principal da propriedade.
Cada criança simbolizava um dos pontos reivindicados pelo movimento.
Com bonés do MST, os meninos e meninas foram orientados a espancar o boneco, momentos antes do ‘‘enterro’’, sob aplausos dos adultos acampados no local. Alguns dos acampados tiveram esta semana sua prisão preventiva solicitada pelo governo por causa da destruição da câmera de vídeo usada por um agente da área de segurança que gravava imagens entre os manifestantes.
A permanência de crianças no acampamento em frente à fazenda, que está ocupada por tropas do Exército, foi criticada esta semana por Fernando Henrique. Ele acusou o movimento de desrespeitar o Estatuto da Criança e do Adolescente.
Além das reivindicações, as crianças carregavam cartazes com os nomes de entidades que apóiam o movimento, entre elas a Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB), a Central Única dos Trabalhadores (CUT) e a Comissão Pastoral da Terra. Uma folha de papel com a bandeira dos Estados Unidos também acompanhou o ‘‘funeral’’.
‘‘Este é um ato simbólico’’, disse o coordenador regional do MST Gilmar de Oliveira. ‘‘Nossas crianças não aguentam mais a situação que nos é colocada nos assentamentos.’’ O movimento reivindica a contratação de 5 mil agentes de saúde para atender os assentados no País e a liberação de R$ 20 milhões para a alfabetização de jovens e adultos.
O MST quer ainda o assentamento de 75 mil famílias, a liberação de recursos para convênios já celebrados com o Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra), a liberação de R$ 300 milhões de crédito a atividades não-agrícolas nos assentamentos e assistência técnica. (D.F.)

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