Curitiba- Hábitos alimentares ocidentalizados, que incluem refeições com nível elevado de gorduras, vida sedentária e estresse. Esses três ingredientes formam o gatilho certo para desencacadear um dos grandes vilões da vida moderna: o colesterol alto. Junto, outras complicações da saúde, como diabetes e aumento do nível de triglicerídios, são cada vez mais frequentes. Outro problema apontado por especialistas no Dia Nacional de Combate ao Colesterol, comemorado ontem, é que a população mais jovem apresenta cada vez mais essas alterações, que antigamente eram praticamente restritas aos mais velhos.
O médico cardiologista Pedro Vicente Michelotto, diretor clínico da Clínica Paranaense de Cardiologia (Clinicor), em Curitiba, conta que tem entre seus clientes alguns casos de crianças com dez anos de idade que já apresentam colesterol alto. ''Além de terem hábitos errados de alimentação, hoje as crianças quase não fazem esportes, brincam na frente do computador'', avalia. Ele explica que há casos de pessoas que nascem com predisposição genética ao colesterol alto. Esses, no entanto, são minoria.
Na maioria dos casos, o aumento do nível do colesterol é resultado de uma dieta inadequada. O colesterol é um tipo de gordura produzido pelo fígado. O nível de colesterol pode aumentar, no entanto, no caso de ingestão frequente de alimentos que também possuem colesterol - caso de alimentos ricos em gorduras saturadas, em especial os de origem animal, como óleos, leite integral e ovos.
Estima-se que hoje pelo menos 24 milhões de brasileiros tenham taxas de colesterol alta. A situação torna-se ainda mais grave se for levado em conta que apenas 2 milhões fazem algum tratamento. Com excesso de colesterol no sangue, essas pessoas correm maior risco de ter ataque cardíaco ou derrame. Isso ocorre porque a gordura acumulada deposita-se nas artérias, estreitando os vasos sanguíneos e até mesmo entupindo totalmente uma artéria, quando há grande quantidade de colesterol depositado, impedindo a passagem do sangue para o coração ou cérebro.
Assim como há pessoas com predisposição genética ao alto colesterol, outras nascem protegidas contra o colesterol e possuem alto nível do HDL, conhecido como colesterol bom. ''É raro, mas nesses casos, o HDL neutraliza o colesterol ruim'', diz Michelotto. Indicadores mundiais de saúde preconizam que o nível de HDL no organismo deve ser superior a 45 miligramas. Já o nível de LDL, o colesterol ruim, no sangue não pode ser superior a 130 miligramas.
Esses índices, no entanto, começam a ser questionados. Estudos apresentados em março deste ano em um congresso de cardiologia nos Estados Unidos, segundo Michelotto, mostraram que ''quanto mais baixo o LDL, melhor''.
A pesquisa foi feita durante dez anos junto a dois grupos da população, um com 70mg de colesterol e outro com 130mg, ou seja, ambos dentro do limite aceitável. O resultado foi que, nos dez anos, o grupo que tinha menor nível de colesterol teve menos problemas vasculares do que o outro grupo. ''Isso reforça a idéia de que o tratamento necessário deve ser feito com dieta e medicação''; avalia o médico.
Quando detectado colesterol alto, o primeiro tratamento prevê dieta adequada e realização de exercícios físicos. Se o paciente persistir com excesso de colesterol, mesmo seguindo os conselhos médicos, é prescrita medicação.

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