Agência Estado, Rio

Arquivo FolhaPerigoAutoridades sabem da existência de rapazes que respondem pela ‘‘gerência geral’’ do tráfico em morros do RioO número de adolescentes envolvidos em crimes no Estado do Rio vem subindo numa escala surpreendente. Só até maio deste ano foram detidos 1.453 jovens entre 12 e 18 anos. A projeção para o fim do ano é de um total de 3.492, o que seria o recorde da década no Estado. O que mais assusta, no entanto, é a parcela de menores infratores ligados ao tráfico de drogas - dos 1453 apreendidos, 31,18%, ou 453, estariam nesta situação. ‘‘Onde eles encontram a oportunidade de ascender?, indaga o secretário de Segurança, general Nilton Cerqueira. ‘‘Associando-se aos marginais de suas comunidades’’.
A diretora da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Márcia Julião, atribui o problema à falência de alguma instituições. ‘‘É preciso analisar o papel da Escola, da Família e da Igreja’’, diz. ‘‘De que adianta eu apreender 20 adolescentes em atos infracionais se, ao mesmo tempo, outros 40 estão sendo empurrados por suas famílias para as ruas?, prossegue Julião. A delegada sabe da existência de rapazes entre 16 e 18 anos que respondem pela ‘‘gerência geral’’ do tráfico em morros do Rio.
Na hierarquia do tráfico, o gerente geral só perde para o líder da boca-de-fumo. Julião investiga a possibilidade de adolescentes estarem na cúpula do tráfico nos Morros do Jacarezinho e da Mineira, na zona norte, e no Morro do Borel, na zona sul. Dos 3.136 jovens apreendidos em 1996, 31,3%, ou 984, foram flagrados com drogas. ‘‘Em geral, eles são viciados que precisam vender cada vez mais para abastecer a si próprios’’, observa Julião. ‘‘E quase todos perderam o vínculo com suas famílias’’.
Em 1993, apenas 6,1% dos 1.902 adolescentes detidos tinham envolvimento com o tráfico de entorpecentes. Enquanto o número de menores encaminhados à DPCA por prática de furtos alcançou 35,2%, ou 669, o total de envolvidos em roubos naquele ano foi de 39,2%, ou 745. ‘‘Falta educação moral a eles, é preciso recuperar a juventude’’, salienta o general Cerqueira.
Até maio de 1997, apenas 14,73% foram detidos por infringirem o artigo 155 do Código Penal (furto) e 19,68%, por violarem o artigo 157 do mesmo código (roubo). Outros 34,41%, ou 500 jovens, chegaram à DPCA por terem cometido delitos diversos, desde sequestros a danos materiais, lesões corporais ou porque dirigiam sem habilitação. ‘‘A impetuosidade desses adolescentes, somada à sede de poder usar armas poderosas, resulta na ausência do medo’’, declara Julião. ‘‘E eles utilizam a droga como agente inibidor do medo’’.
Segundo Julião, rapazes na faixa dos 16 anos que se sobressaem no tráfico são tão respeitados em suas áreas de ação que, muitas vezes, escolhem três ou mais mulheres da comunidade para ‘‘namorar ou se juntar’’. ‘‘Se for gerente então, esse poder triplica’’.

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