Brasília - A maior parte das crianças que trabalha no tráfico de drogas no Rio de de Janeiro entra na atividade antes dos 13 anos de idade. Este é um dos dados do estudo sobre ‘‘O Emprego de Crianças e Adolescentes no Tráfico de Drogas na cidade do RJ’’ desenvolvido pelo IETS (Instituto de Estudos do Trabalho e Sociedade) sob encomenda da OIT (Organização Internacional do Trabalho).
O IETS realizou, entre julho e dezembro do ano passado, 100 entrevistas em 21 favelas cariocas, sendo 50 empregados do tráfico (40 crianças e 10 jovens e adultos), cinco familiares, cinco policiais, dez técnicos do Poder Judiciário, cinco diretoras de escolas localizadas em favelas, cinco lideranças comunitárias e 20 adolescentes não empregados do tráfico (10 usuários de drogas e 10 não usuários).
A pesquisa conseguiu descobrir que 67,5% das crianças ouvidas entraram para o tráfico de drogas antes dos 13 anos de idade. Além disso, 55% delas têm menos de quatro anos de estudo, portanto, abaixo da média brasileira que é de 6,4 anos.
A maior parte das crianças (90%) que trabalha no narcotráfico consome maconha. Em segundo lugar no consumo aparece o haxixe (25%). De acordo com o estudo, a identidade com os traficantes é o principal fator de ingresso na atividade entre as crianças até 12 anos, seguido pela busca de ‘‘adrenalina’’ e pelo desejo de poder (consumo de bens, dinheiro, prestígio). Já entre os adolescentes acima dessa idade, o fator principal é a busca de poder, seguido da ‘‘adrenalina’’
Os jovens que trabalham no tráfico responderam ainda que a condição principal para a contratação de menores de idade é o fato de eles serem imputáveis legalmente. Já os principais fatores para a permanência na atividade ilegal são o medo da ação dos policiais e dos grupos rivais, apontados por 27,5% dos entrevistados. Entre os maiores temores das crianças e adolescentes envolvidos com o tráfico.
O risco de vida foi apontado por 35% das crianças e adolescentes como o maior temor para quem está envolvido com o tráfico. Em seguida aparece a extorsão policial, com 30%, e o risco de ser preso, 20%.
O instituto também quis saber quais fatores fariam com que a criança ou o jovem deixassem o tráfico de drogas. A maioria das crianças com menos de 12 anos apontou o fato de ‘‘guardar muito dinheiro’’ como o fator principal, seguido pelo fato de ‘‘apaixonar-se por uma pessoa honesta’’. Já entre os adolescentes com mais de 12 anos, que também apontaram ‘‘guardar dinheiro’’ em primeiro lugar, colocaram em segundo plano ‘‘arrumar um bom emprego’’.
Segundo Pedro Américo Furtado de Oliveira, coordenador do Programa para Eliminação do Trabalho Infantil da OIT, entre as sugestões que poderiam ser apontadas para eliminar o trabalho infantil no narcotráfico estão a criação de redes de proteção social (auxílio familiar, renda mínima e geração de emprego) e o desenvolvimento de atividades que possam atrair as crianças e jovens, como esportes, cultura e lazer.
A pesquisa da OIT foi realizada em mais 19 países e faz parte de um conjunto de 38 estudos sobre as piores formas de trabalho infanto-juvenil.

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