Crianças do Vista Bela ficam sem transporte escolar
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quinta-feira, 20 de setembro de 2012
Érika Gonçalves <br> Reportagem Local 
Londrina - Quase mil crianças do Residencial Vista Bela (Zona Norte de Londrina) ficaram sem transporte escolar ontem. O contrato emergencial que a Prefeitura mantinha com duas empresas de transportes terminou no último dia 18 e, como um novo contrato não ficou pronto a tempo, as crianças não puderam ir para a escola.
Muitos pais, como a dona de casa Iraci Rodrigues, ficaram revoltados por não terem sido informados com antecedência. Com quatro filhos em idade escolar e um menor, ela descobriu ontem de manhã, pelo rádio, que não haveria transporte. ''Se a gente não manda o filho para a escola tem problema. Agora eles faltam porque não tem ônibus. Ainda bem que hoje eu não vou trabalhar, senão teria que levá-los junto.''
A atendente Vanessa Fabri, mãe de duas meninas, contou que também descobriu somente de manhã que as filhas não teriam transporte escolar. ''Nem compensa eu tentar levá-las de ônibus de linha. Além disso, quem vai pagar as passagens?'', questionou.
A dona de casa Tatiane Cristina, também mãe de dois filhos, concordou com a vizinha. ''Temos que pegar dois ônibus e até chegar lá já está na hora de voltar. Além do mais, esses ônibus de linha não têm obrigação de levar os estudantes. Como fica o pessoal que tem que trabalhar?'', criticou, referindo-se ao bloqueio aos veículos das linhas tradicionais.
Tentando fazer com que as crianças chegassem ao colégio, um grupo de moradores fechou a rua e impediu que alguns ônibus do transporte coletivo deixassem os pontos. Alguns adultos chegaram a incitar as crianças a cercar os veículos, ignorando o risco de acidente. Várias crianças aproveitaram para chutar os ônibus, jogar paus e até tentar esvaziar os pneus.
A auxiliar de confeiteiro Steffany Fernanda Oliveira Barreiros foi uma das pessoas que perderam o dia de trabalho por conta do tumulto. ''Os pais têm o direito de reclamar, mas não podem parar os ônibus. Além disso é um absurdo usarem crianças para pararem os veículos'', lamentou.
A diarista Diva de Oliveira reclamou que, além de não poder ir trabalhar, perdeu uma consulta médica. Ela já tinha pagado a passagem e acabou desistindo de continuar no coletivo depois que o tumulto começou. ''Olha o tamanho do meu joelho, todo inchado. E agora vou ter que esperar mais dois meses para uma nova consulta. Eles podem protestar, mas eu tenho o direito de ir ao médico.''
Muitos pais ficaram revoltados também com a ausência de um representante da Secretaria de Educação para explicar a situação e dar uma previsão de quando a situação será normalizada.


