As três crianças de Guarapuava que estavam sob a guarda provisória de Eneida Magalhães Pires, no Rio de Janeiro, devem voltar ao Paraná ainda hoje. A guarda foi revogada pelo juiz da Infância e da Juventude de Guarapuava, Rene Pereira da Costa, depois que Eneida foi presa sob suspeita de traficar menores. A polícia carioca não descarta a possibilidade de que entre as crianças mantidas por ela estejam outras paranaenses.
A autorização para o retorno das crianças foi dada ontem pelo juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio, Siro Darlan. Segundo ele, um comissário do Juizado de Guarapuava deve viajar hoje para o Rio, com a missão de buscar Josiane Ribeiro, de 12 anos; Anderson Rodrigo de Oliveira, de 11; e Júlio César, de 10.
Os três - que eram chamados por Eneida de Liana, Lincoln e Lízio, respectivamente - foram levados em 1990 de Guarapuava, onde viviam num orfanato. Eneida recebeu a guarda provisória das crianças e nunca mais apareceu para concluir o processo de adoção. Este ano, ao assumir o Juizado, Costa resolveu retomar o caso, deflagrando as investigações que levaram à prisão de Eneida, que se diz parapsicóloga. Com ela a polícia encontrou 13 crianças e 34 certidões de nascimento.
Em Guarapuava, as crianças serão encaminhadas para casas-lares mantidas pela prefeitura, onde aguardarão que apareçam interessados em adotá-las. O juiz Siro Darlan criticou Costa por pedir a volta das crianças. ‘‘Seis anos na vida de uma criança são muito marcantes, e elas gostam de Eneida’’, disse. ‘‘A volta será prejudicial no aspecto psicológico, pois representará uma nova rejeição.’’
Darlan afirmou não acreditar na hipótese de que Eneida integra uma quadrilha de tráfico de crianças. ‘‘Ela é apegada às crianças e não parece uma pessoa fria’’, disse.
Mas a Divisão de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil do Rio de Janeiro continua investigando a origem dos menores que estavam com Eneida e por que ela tinha tantas certidões de nascimento em seu poder. A delegada titular da DPCA, Márcia Julião, disse que investiga a possibilidade de que outras crianças tenham sido levadas do Paraná. O juiz Siro Darlan também afirmou que estavam com Eneida ‘‘várias crianças com características sulistas, como cabelos loiros e olhos claros’’.
Pelo menos uma das crianças cujas fotos foram publicadas pelos jornais chamou a atenção da polícia paranaense. Trata-se de uma menina identificada como Letícia. O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) levantou a suspeita de que possa se tratar de Letícia Morais de Oliveira, desaparecida em Iporã, no Noroeste do Estado, em agosto do ano passado, aos 3 anos e oito meses de idade.
O Sicride pediu à delegacia de Iporã que apresente a foto publicada nos jornais à família de Letícia, lavradores que moram no distrito de Oroitê. Até agora, contudo, trata-se apenas de uma suspeita, sem qualquer indício concreto. Hoje o Sicride recebe da polícia carioca um dossiê completo sobre as crianças encontradas com Eneida Magalhães.

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