Crianças do PR serão devolvidas hoje
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quarta-feira, 04 de dezembro de 1996
Lorena Aubrift Klenk 
As três crianças de Guarapuava que estavam sob a guarda provisória de Eneida Magalhães Pires, no Rio de Janeiro, devem voltar ao Paraná ainda hoje. A guarda foi revogada pelo juiz da Infância e da Juventude de Guarapuava, Rene Pereira da Costa, depois que Eneida foi presa sob suspeita de traficar menores. A polícia carioca não descarta a possibilidade de que entre as crianças mantidas por ela estejam outras paranaenses.
A autorização para o retorno das crianças foi dada ontem pelo juiz da 1ª Vara da Infância e da Juventude do Rio, Siro Darlan. Segundo ele, um comissário do Juizado de Guarapuava deve viajar hoje para o Rio, com a missão de buscar Josiane Ribeiro, de 12 anos; Anderson Rodrigo de Oliveira, de 11; e Júlio César, de 10.
Os três - que eram chamados por Eneida de Liana, Lincoln e Lízio, respectivamente - foram levados em 1990 de Guarapuava, onde viviam num orfanato. Eneida recebeu a guarda provisória das crianças e nunca mais apareceu para concluir o processo de adoção. Este ano, ao assumir o Juizado, Costa resolveu retomar o caso, deflagrando as investigações que levaram à prisão de Eneida, que se diz parapsicóloga. Com ela a polícia encontrou 13 crianças e 34 certidões de nascimento.
Em Guarapuava, as crianças serão encaminhadas para casas-lares mantidas pela prefeitura, onde aguardarão que apareçam interessados em adotá-las. O juiz Siro Darlan criticou Costa por pedir a volta das crianças. Seis anos na vida de uma criança são muito marcantes, e elas gostam de Eneida, disse. A volta será prejudicial no aspecto psicológico, pois representará uma nova rejeição.
Darlan afirmou não acreditar na hipótese de que Eneida integra uma quadrilha de tráfico de crianças. Ela é apegada às crianças e não parece uma pessoa fria, disse.
Mas a Divisão de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA) da Polícia Civil do Rio de Janeiro continua investigando a origem dos menores que estavam com Eneida e por que ela tinha tantas certidões de nascimento em seu poder. A delegada titular da DPCA, Márcia Julião, disse que investiga a possibilidade de que outras crianças tenham sido levadas do Paraná. O juiz Siro Darlan também afirmou que estavam com Eneida várias crianças com características sulistas, como cabelos loiros e olhos claros.
Pelo menos uma das crianças cujas fotos foram publicadas pelos jornais chamou a atenção da polícia paranaense. Trata-se de uma menina identificada como Letícia. O Serviço de Investigação de Crianças Desaparecidas (Sicride) levantou a suspeita de que possa se tratar de Letícia Morais de Oliveira, desaparecida em Iporã, no Noroeste do Estado, em agosto do ano passado, aos 3 anos e oito meses de idade.
O Sicride pediu à delegacia de Iporã que apresente a foto publicada nos jornais à família de Letícia, lavradores que moram no distrito de Oroitê. Até agora, contudo, trata-se apenas de uma suspeita, sem qualquer indício concreto. Hoje o Sicride recebe da polícia carioca um dossiê completo sobre as crianças encontradas com Eneida Magalhães.


