psicóloga Janet Hall concedeu entrevista à reportagem da Folha. Confira os principais trechos:

Quando o medo deixa de ser uma ferramenta de proteção e passa a ser um problema?
O medo se torna um problema quando começa a atrapalhar o dia a dia da criança; ela começa a ter medo de ir à escola, à aula de natação, de sair à rua, por exemplo.


Quando a ajuda terapêutica é necessária?
Quando os pais não conseguem transmitir a segurança necessária aos filhos, explicar que não existe um ''bicho-papão'' debaixo da cama. Muitas vezes, o fato do psicólogo não ser tão próximo da criança quanto os pais facilita esse trabalho, mas cada caso deve ser avaliado isoladamente.


Esses novos medos infantis atingem crianças de todas as classes sociais?
Sim. Mesmo na Austrália, um país desenvolvido, as crianças estão se sentindo ameaçadas pelo medo. Hoje em dia as crianças assistem a muita televisão, conectam a internet e ficam sabendo precocemente de situações violentas que acontecem no mundo inteiro. Todas as crianças sabem o que aconteceu no dia 11 de setembro de 2001. Antigamente as pessoas raramente achavam que as coisas ruins poderiam acontecer com elas.


O que fazer quando os pais têm os mesmos medos dos filhos?
Os pais nessas condições também devem buscar ajuda profissional de um psicólogo, um tratamento para que possam conversar sobre os problemas deles. Eles têm que aprender a mostrar para os filhos que é normal ter esses medos e ensinar as maneiras adequadas de lidar com eles. Os pais não devem ignorar que o medo não existe.


O medo é necessário?
Sim. É necessário porque a gente tem de se proteger do perigo. Precisamos aprender a lidar com o medo, principalmente as crianças menores de 10 anos que ainda estão na fase de desenvolver a capacidade de diferenciar a realidade da imaginação.



Você sugere no livro que os pais elaborem junto com os filhos um plano próprio para espantar o medo. Qual a importância disso?

É fundamental que os pais leiam o livro antes de trabalhar os exercícios sugeridos com os filhos. É importante que tanto os pais quanto os filhos se identifiquem com o plano de superação e o construam juntos. Ele tem que ser agradável para ambos.


Não é receita pronta?
De um lado é uma receita pronta porque dá segurança aos pais que estão com medo de errar na orientação aos filhos, mas também é algo que pode ser usado como base. A coisa mais importante que as crianças precisam ter é a rotina. Porque na rotina ela se sente segura e tem um ambiente para explorar os medos. Mas quando não tem a rotina, e junto com isso vem a insegurança, a criança pode perder o controle e o medo pode virar algo maior do que ela, tornando-se uma fobia.


Qual a importância da linguagem positiva sugerida no livro?
A linguagem positiva é fundamental para se obter sucesso na educação dos filhos. Os pais devem evitar os ''nãos''. Em média, uma criança recebe 200 ''nãos'' por dia e só dez ''sim'' ou palavras positivas diariamente.


Você acha que é possível ser uma criança feliz e segura no mundo de hoje?
Sim e você ainda tem que ser consciente que no mundo real coisas ruins também podem acontecer para as pessoas boas. Temos que ser esperançosos sobre o futuro, mas estar consciente disso.


A senhora acha que noções de Deus e de religião podem ajudar as crianças a superar o medo?
A idéia de que coisas ruins também acontecem com pessoas boas é difícil, ainda mais para crianças, e o mais importante no ambiente da criança, além dos pais e dos professores, é a rotina. O que é previsível nos faz sentir mais seguros. A idéia de Deus também é interessante, porque a sensação de que Ele seja o pai de todos nós, que nos olha, e que tem um poder maior, pode fazer com que as pessoas se sintam importantes, cuidadas e valorizadas.


Quais foram as suas impressões sobre o Brasil?
É a primeira vez que venho aqui e achei as pessoas simpáticas, gentis, e atentas aos seus próprios sentimentos, sendo esta última qualidade muito importante para os pais entenderem os sentimentos dos filhos.(A.P.N.)

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