Crianças buscam soluções para meio ambiente
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quinta-feira, 02 de março de 2006
Andréa Lombardo<br>Equipe da Folha 
Curitiba- Os grandes temas das conferências da Organização das Nações Unidas (ONU), que acontecerão a partir do dia 13, biodiversidade e biossegurança já contagiaram as escolas da rede pública municipal de Curitiba. Mas, diferente da complexidade das discussões que acontecerão a portas fechadas entre as delegações de quase 200 países, as crianças encaram os problemas com uma visão bem simplista e apontam ''soluções'', igualmente, simples.
Depois de pesquisar e debater os temas em sala de aula, os 103 mil alunos das 169 escolas da rede municipal de ensino apresentarão suas sugestões para reverter a perda de biodiversidade, que serão reunidas em uma ''Carta Compromisso''. Miniconferências que serão realizadas nos nove núcleos de educação irão selecionar as propostas que farão parte do documento a ser entregue ao prefeito de Curitiba, Beto Richa (PSDB) e a um representante da ONU.
Para a coordenadora do projeto das miniconferências, Elaine Guedes Nunes, o fato do resultado desse trabalho fazer parte de um documento que será entregue a autoridades serve de estímulo para um envolvimento maior por parte dos alunos. Ela lembrou que a educação ambiental já tem espaço garantido no currículo das escolas municipais, mas com a realização das conferências, ganhou maior ênfase, especialmente, sobre o tema biodiversidade.
Uma das escolas adiantadas no processo de elaboração da ''Carta Compromisso'' é a Escola Municipal Santo Inácio. A pedagoga da instituição, Luci Francisca da Silva, disse que a temática escolhida foi a água, pela proximidade da escola com o Parque Barigui, que é banhado pelo rio de mesmo nome. Os alunos puderam conhecer sua nascente, em Almirante Tamandaré, na região metropolitana, e observar sua degradação ao longo da cidade.
Gabriel dos Santos, de 7 anos, tem na ponta da língua o que entendeu sobre biodiversidade. ''São os vários tipos de vida'', diz. E para protegê-la: ''Não jogar lixo nos rios, não cortar árvores e não matar os animais''.
Apesar da pouca idade, Gustavo Thadeu Szczypior, 7 anos, mostra responsabilidade ao falar sobre a conservação dos recursos hídricos. ''Nós temos que cuidar mais da água porque tem pouca água pra gente beber'', observou. Ele garante que, em casa, já faz sua parte para evitar o desperdício. Uma das tarefas é ajudar a mãe na coleta de água da chuva para a lavagem do carro e calçadas.
Pacotes de salgadinho e um cano jogando esgoto foram as recordações ruins que Amauri de Paula Rizardi, de 8 anos, registrou da visita ao Parque Barigui. Para reverter esses problemas, ele é bem prático: ''É só tirar o lixo de lá''.
Essas e outras ações estão elencadas em uma das cartas preparadas por uma turma de 4 série da Escola Santo Inácio. ''Diante desses problemas nos comprometemos, enquanto crianças, a refletir e agir com atitudes em defesa da água, em nossa casa, na escola e na comunidade.(...) Esperamos com essas atitudes preservar a água em nosso planeta'', descrevem.


