O relatório Situação Mundial da Infância, preparado pelo Unicef (Fundo das Nações Unidas para a Infância), mostra que, apesar de o Brasil ter subido quatro posições na classificação geral, o país ainda aparece em uma colocação considerada ruim.
O ranking, que inclui 191 países, é feito a partir dos números de mortalidade de crianças menores de 5 anos. Os dados são referentes a taxa de estimativa de 1999.
O Brasil aparece em 89º lugar no ranking em que quanto mais alta a classificação melhor a situação do país. No país são 40 mortes antes dos 5 anos para cada mil nascidos vivos. No relatório anterior, em que o país aparecia em 85º, a taxa de mortes era de 42 para cada grupo de mil nascidos vivos.
O índice é igual ao de países como o Vietnã e pior do que os da Albânia e do Equador (35 mortes por mil nascidos vivos).
‘‘A melhora do Brasil é um reflexo das ações feitas, que estão dando resultado’’, afirmou Reiko Niimi, representante do Unicef no Brasil, durante a apresentação do relatório. ‘‘Mas ainda há muito o que melhorar, porque o país está em situação semelhante a outros muito mais pobres, como o Vietnã.’’ Reiko lembrou ainda que países mais próximos ao Brasil, econômica e culturalmente, como Argentina e México, aparecem em melhor situação. O México está em 97º lugar e a Argentina, no 123º. Na América Latina, os mais bem colocados são Chile (147º) e Cuba (158º).
A receita para mudar o quadro é, segundo o Unicef, algo que o Brasil descobriu há pouco tempo: melhorar a atenção às crianças entre 0 e 6 anos. Na avaliação do Unicef, o país tem investido em ações importantes, como o Programa de Saúde da Família e o Fundef (Fundo de Valorização do Ensino Fundamental). No entanto, as ações ainda são muito pulverizadas. ‘‘Não há uma política pública de atendimento à criança em si’’, disse Reiko.
Nos mapas que retratam a vacinação de crianças com até 1 ano e o índice de matrículas na escola primária, o país aparece com percentuais acima de 90% – ao lado de países da Europa e América do Norte.
O País ainda mantém deficiências sérias no atendimento às crianças. Uma delas é a realização de exames de pré-natal. Menos da metade das mulheres grávidas faz as seis consultas recomendadas pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Nas áreas rurais, 32% das mulheres não fazem nenhum exame. Nos centros urbanos são 8,6%.
De acordo com o presidente da Sociedade Brasileira de Pediatria, Lincoln Freire, metade das mortes de crianças antes de 1 ano ocorreu no parto ou na primeira semana de vida. ‘‘Isso é perfeitamente evitável com um pré-natal bem-feito’’, disse.
O relatório mostra que apenas 8,3% das crianças brasileiras entre 0 e 3 anos estão em creches e 57% das entre 4 e 6 anos, na pré-escola. ‘‘A legislação brasileira no atendimento à criança é uma das mais modernas do mundo e prevê todos os cuidados necessários’’, lembrou Reiko. ‘‘Está na hora de trabalharmos para tirá-la do papel.’’
As causas de morte até 5 anos, segundo o Unicef, podem revelar o grau desenvolvimento do país, como a renda per capita (quanto mais baixa a renda, pior as condições de vida e maior a proporção de mortes), a eficiência do atendimento à saúde, propagação de doenças e atendimento escolar e de saneamento básico, entre outros itens. O Unicef também divulgou ontem um outro levantamento inédito e feito somente no Brasil que classificou as cidades de acordo com o atendimento à criança.

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