Curitiba- Desde os dois meses de idade, Guilherme Carlos da Silva, hoje com cinco anos, é obrigado a se submeter a transfusões de sangue, que variam entre sessões bissemanais a quinzenais, dependendo de seu estado de saúde. Guilherme nasceu com uma deformação na medula óssea, diagnosticada como mielodisplasia, patologia que determina a produção insuficiente de glóbulos vermelhos do sangue. Desde os dois meses, quando a doença se manifestou pela primeira vez, ele aguarda na fila de espera por um transplante de medula óssea.
Guilherme nasceu e viveu em Belo Horizonte, Minas Gerais, até os dois anos. No início os médicos acharam que se tratava de uma anemia. ''Mas ele vivia internado porque tinha a defesa imunológica muito baixa, até que teve um febrão'', conta a mãe, Ana Paula dos Santos Silva. Um exame de sangue mais aprofundado acusou a quase inexistência dos glóbulos vermelhos e a necessidade de que recebesse, dali para frente, transfusões de sangue para repor a substância. A cura definitiva só seria possível com um transplante de medula óssea.
Foi então que começou a batalha mais difícil, na procura por um doador. Ana, o marido Eliomar, a filha Naiara, hoje com nove anos, primos e tios fizeram exames, mas nenhum apresentou compatibilidade de medula. Quando Guilherme estava com dois anos, Ana decidiu engravidar, na esperança de que um filho caçula pudesse ser doador, usando uma técnica inovadora, que permite o transplante da medula pelo cordão umbilical. Grávida de três meses, mudou-se com a família para Curitiba, para fazer o tratamento no Hospital de Clínicas (HC) da Universidade Federal do Paraná (UFPR), um dos únicos do País que faz esse tipo de transplante.
Durante um ano, até o nascimento do bebê, a permanência da família em Curitiba foi custeada por uma emissora de televisão. Quando a caçula Vitória nasceu, há três anos, e exames mostraram que sua medula não era compatível e que não poderia ser doadora, a família perdeu o apoio financeiro. Hoje, a família mora em Piraquara, na Região Metropolitana de Curitiba, e tem como única renda o salário de Eliomar Carlos da Silva, que é metalúrgico e está desempregado há três meses. A prestação de R$ 80,00 de uma casa adquirida pela Cohab está atrasada há seis meses. ''Um dia a gente paga'', diz Ana, que abriu uma conta no banco Bradesco, na esperança de que as pessoas contribuam.
De acordo com os médicos, o problema é que o garoto tem um tipo raro de medula, o que dificulta encontrar um doador. Mesmo assim, Ana não perde a esperança e semanalmente passa pelo serviço de Transplante de Medula Óssea (TMO) do HC, para perguntar ''se apareceu uma medula compatível''. Enquanto isso, Guilherme tem uma rotina, que inclui exame semanal de sangue para controle, transfusões, uso de cinco medicamentos diariamente, sendo que um deles, líquido, é ministrado através de uma agulha, que é mantida em sua barriga toda noite. ''A saúde do Guilherme está bem complicada. Ele tinha que ter conseguido este transplante para ontem'', diz Ana, lembrando que há seis meses o sangue de Guilherme tem revelado também falta de glóbulos brancos.
Serviço: Depósitos em dinheiro podem ser feitos na conta poupança do Bradesco nº 120983-3, agência 0466-9, em nome de Guilherme Carlos da Silva.

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