Rio – Uma estudante de 11 anos foi atingida com uma pedrada na cabeça enquanto caminhava pela rua após sair de um culto de candomblé na Vila da Penha, na zona norte do Rio, por volta das 18h30 do último domingo. A agressão ocorreu quando oito pessoas, vestidas com trajes brancos típicos do candomblé, caminhavam pela Avenida Meriti após uma festa religiosa.
Segundo a avó da vítima, a mãe-de-santo Katia Marinho, dois homens que estavam em um ponto de ônibus do outro lado da rua, com Bíblias sob os braços, começaram a insultá-los. "Eles gritavam: 'Sai, demônio, vão queimar no inferno, macumbeiros', mas nós continuamos andando normalmente", contou.
O grupo só parou quando a menina foi atingida pela pedra, que, arremessada pelos agressores, chegou a bater em um poste antes de atingir a menina. Ela chegou a desmaiar. "Ficamos naquele desespero para socorrê-la, e eles continuaram nos insultando. Só foram embora quando chegou um ônibus e eles embarcaram", disse a mãe-de-santo. Fotos publicadas por Katia no Facebook mostram as manchas de sangue no chão e nos trajes usados pela menina.
A vítima foi socorrida e passa bem, mas ainda está muito abalada. "Ela não quer sair no portão, não quer mais vestir branco, está morrendo de medo", contou a avó da menina. Iniciada no candomblé há quatro meses, a estudante frequentou a escola durante três meses vestindo roupas típicas da religião e contou que sempre foi respeitada.
Após a pedrada, Katia lançou uma campanha pelo Facebook para que adeptos das religiões de matriz africana publiquem fotos vestindo roupas brancas e segurando cartaz com os dizeres "Eu visto branco. Branco da paz. Sou do candomblé, e você?". O caso foi registrado na 38ª DP (Irajá), na zona norte, como lesão corporal, também por intolerância religiosa (o artigo 20 da Lei 7.716 prevê multa e prisão de um a três anos para a prática, indução ou incitação da discriminação ou preconceito de raça, cor, etnia, religião ou procedência nacional).

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