O resultado imediato da fome crônica em crianças pode ser conferido na UTI pediátrica do Hospital Universitário (HU), em Londrina. Luísa Moria, diretora da UTI, explica que a déficit nutricional dificulta a recuperação dos pacientes. A diarréia, comum nos países em desenvolvimento, ligada diretamente à desnutrição e à falta de saneamento básico, faz com que o organismo reaja mal ao tratamento médico.
Apesar da desnutrição ainda ser grave, Luísa Moria diz que, de dez anos para cá, houve um avanço na condição de vida das crianças. ‘‘As campanhas de vacinação e orientação junto aos pais melhoraram a saúde, mas ainda há muito por fazer’’, alerta a diretora. Segundo Luísa Moria, remediar as doenças ligadas à desnutrição é bem mais oneroso para o governo do que tratar as causas. A infância, para a diretora, está mais exposta à pobreza: ‘‘A criança fica à mercê do adulto. A qualidade e a quantidade do que ela come é dosada pelo adulto’’, assegura.
A pediatra diz que, em famílias pobres, o segundo filho sofre mais com a divisão de alimentos. ‘‘A comida, que já é pouca, tem que dar para todos’’. Os nutrientes necessários para o desenvolvimento infantil, na maioria das vezes são substituídos por alimentos ricos em carboidratos. Desnutridas, as crianças vão parar em hospitais, onde ficam internadas por meses. ‘‘Depois de recuperadas elas voltam para o mesmo meio causador da fome’’, constata a pediatra. (M.B.)

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