Criança e adolescente também sofrem com dores nas costas
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domingo, 12 de fevereiro de 2006
Chiara Papali<br> Reportagem Local 
Sabe aquela dorzinha nas costas tão comum nos mais velhos? Ela já não é mais exclusividade dos adultos - crianças e adolescentes são cada vez mais acometidos pelo problema. Má postura e alimentação deficiente em cálcio são apontadas pelos especialistas como as principais causas. Na infância, as dores nas costas também podem ser o sinal de alguma doença mais grave.
Nas crianças, lombalgia é sempre sinal de alerta, ao contrário dos adultos, dos quais estima-se que 90% tenham alterações posturais e que 80% terão dores nas costas em algum momento da vida. A reumatologista pediátrica Margarida Fernandes Carvalho, de Londrina, ensina que os pais não devem deixar passar despercebidas queixas de dores nas costas.
Isto porque podem ser casos de doenças graves, como tumores ósseos e metástases para a coluna, ou processos inflamatórios. Uma criança com menos de dez anos não tem a coluna igual a de um adulto. Quanto menor a criança, mais rápido deve-se procurar um médico, alerta.
Mas, os casos mais comuns são as escolioses e cifoses, alterações na coluna, que, segundo a médica, podem se manifestar não só com dores nas costas, mas na barriga e na coxa. Como o diagnóstico é dificultado, merece do médico no mínimo uma investigação radiológica, explica
Ela lembra que sempre houve crianças com dores nas costas, mas os (maus) hábitos da vida moderna têm colaborado para que a incidência aumente, fazendo delas mini adultos.
O sedentarismo é o primeiro deles. Trancadas dentro de casa, por conta da falta de segurança nas ruas, e com pouco espaço para correr e brincar, as crianças acabam passando muito tempo sentadas, seja no videogame, no computador, ou assistindo televisão.
A falta de exercícios, explica a médica, prejudica o equilíbrio e o fortalecimento da musculatura do corpo, principalmente o desenvolvimento da musculatura lombar. E pelo fato de ficarem muito tempo sozinhas, essas crianças não são estimuladas a praticar exercícios, ressalta.
Outro fator ligado ao hábito de ficar no computador e jogar videogames é que nem sempre as cadeiras são ergonomicamente adequadas. E quase sempre as crianças estão sentadas de maneira incorreta. Não só em casa, mas nas escolas, as cadeiras deveriam ter um escosto que abraçe as costas, permitindo que a criança deixe bumbum e coluna encaixados, além do apoio para os braços, explica.
Um estudo feito em São Paulo, no Hospital das Clínicas, no ano passado, segundo a reumatologista, pesquisou hábitos de vida de mais de 800 crianças de colégios particulares e correlacionou os dados com o aparecimento de dores. O estudo apontou que 30% das crianças já tinha manifestações dolorosas músculo-esqueléticas, apontou. Números bem mais altos que os 8% a 10% apontados em pesquisa da década de 50, feita na Inglaterra, quando se começou a estudar doenças reumáticas em crianças.
O tratamento das dores nas costas, segundo a médica, inclui a prática moderada de atividades físicas. O repouso só é indicado nos casos agudos, explica. Em algumas situações também é necessário o uso de medicamentos e até mesmo cirurgia. A fisioterapia aparece como um coadjuvante para o fortalecimento da musculatura lombar e a correção da postura. Mas é principalmente na mudança de hábitos que está a chave para evitar as dores. Sem a mudança de hábitos, o prognóstico é de adultos obesos e doloridos, alerta.


