Criadouros urbanos preocupam
Curitiba - O professor universitário e consultor do Ministério da Saúde (MS), José Luiz de Andrade Neto, que atua na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), não arrista dar os motivos, mas confirma que a febre amarela silvestre é de difícil erradicação. No entanto, não preocupa. O que deixa o Brasil em alerta é a doença urbana. ''A proximidade do homem com a mata, a picada do mosquito, a vinda do mosquito para o Paraná, os criadouros urbanos é que nos preocupam. A prevenção é a mesma da dengue, acabar com os criadouros. Com uma vantagem: existe vacina contra a febre amarela e que tem eficácia de 95%'', disse o médico.
A febre amarela não tem tratamento. Ou se vacina, ou se faz controle vetorial. No entanto, o Brasil não tem hoje estoque suficiente para vacinar toda a população brasileira. O período de incubação da febre amarela é de três a a seis dias. ''A febre amarela pode ser assintomática, leve ou moderada, pode dar amarelão e pode vir na forma maligna com hemorragias. A internação ocorre normalmente quando os sintomas são febre, calafrio, dor de cabeça, náusea, vômito, falta de apetite. Parece um estado gripal. O médico precisa ficar atento para não errar no diagnóstico'', orientou Andrade Neto. As hemorragias com morte ocorrem em 5% a 10% dos casos.
''Não posso dizer que a extinção da Superintendência de Campanhas de Saúde Pública (Sucam) foi uma das responsáveis pela volta da doença. Muitas vezes a gente imagina que existe uma mudança de rótulo, mas as ações governamentais permanecem sendo feitas. O que a gente sabe é que o aquecimento global contribuiu para a febre amarela reaparecer'', explicou ele. O Ministério da Saúde informou ontem que está atuando firmemente no combate ao vetor da febre amarela. Até hoje, 24 casos teriam sido confirmados com três mortes (um deles em Maringá).
O ideal, segundo o ministério, é que as populações de áreas amazônicas ou que precisem viajar para os locais de risco procurem a vacina contra a febre amarela -que tem dez anos de proteção. Em janeiro de 2008, foram enviados para todo o Brasil 3.238.500 doses de vacina. Em 2007, a média mensal de envio para vacinação de rotina foi de 961 mil doses, totalizando 11,5 milhões de doses.(L.P.)





