Brasília, 11 (AE) - O Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal afirma que os laboratórios quebraram o pacto de suspender os reajustes de preços de remédios em fevereiro, feito com o governo na semana passada. O CRF divulgou uma lista de 14 páginas revelando que houve aumentos em remédios como o de uso continuado Capoten, consumido por hipertensos, que passou de R$ 6,77 em janeiro para R$ 7,41 em fevereiro.
A Secretaria de Acompanhamento Econômico (SAE) do Ministério da Fazenda, responsável pelo acordo, explica que há 10 mil medicamentos no mercado e que a lista do CRF abrange apenas cerca de 300. Segundo justificativas recebidas dos laboratórios, os aumentos já tinham sido definidos antes do acordo. A SAE ajustou com os laboratórios Sanofi, Bristol, Akzo-Organon e Whit que os remédios reajustados agora não poderão ter novo aumento em março, mês que pelo acordo inicial seria o primeiro em que ocorreria o repasse escalonado - até maio - do aumento do custo de matéria-prima importada. Acertou-se também que mesmo excetuando março, os laboratórios também farão uma compensação em abril. Relação - A lista do CRF inclui remédios bastante procurados no balcão da farmácia, como o analgésico e antitérmico ASS infantil que subiu de R$ 3,17 para R$ 3,80. A pomada Omcilon, campeã de vendas entre os corticóides empregados para combater infecções de pele, era comprada em janeiro por R$ 11,94 e já custa R$ 13,07, segundo o conselho.
As mães acostumadas a dar a seus filhos recém-nascidos o Luftal para amenizar os gases e as cólicas pagava em janeiro R$ 3,85 e a partir de agora, R$ 4,40. O Alca Luftal, útil para pacientes com dores abdominais em decorrência de excesso de gases ou cólicas causadas por alimentação, passou de R$ 7,90 para R$ 8,61.
O presidente do CRF do Distrito Federal, Antônio Barbosa Silva, diz que enquanto os laboratórios acertavam o pacto com o secretário de Acompanhamento Econômico do Ministério da Fazenda, Claudio Considera, fax era enviado para as distribuidoras e farmácias comunicando os aumentos. "Eles negociaram uma trégua, mas já tinham praticado os aumentos", denuncia.
Preocupação - O deputado Luiz Antônio Medeiros (PFL-SP) levou hoje a lista do CRF para o secretário Considera. Medeiros se diz preocupado com pessoas hipertensas, diabéticas ou cardíacas, entre outros, "reféns das farmácias", por serem obrigados a comprar medicamentos de uso contínuo independente dos preços. Ele mesmo tem três pontes de safena e há seis anos toma constantemente o ASS para afinar o sangue e o Atenol para regular os batimentos cardíacos. "O governo não tem controle de nada do que está acontecendo", afirmou, prevendo um aumento generalizado dos medicamentos a pretexto de compensar o encarecimento dos insumos importados em função da variação cambial.
Medeiros disse ter ficado assustado com o comportamento de Considera. "Parecia que eu estava falando com um representante da indústria farmacêutica", relatou o deputado comentando que integra a base governista no Congresso.

mockup