São Paulo, 27 (AE) - O Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF) entrou com uma representação no Conselho Administrativo de Defesa Econômica (Cade) pedindo a instauração de inquérito contra 20 dos maiores laboratórios farmacêuticos do País. O motivo seria a ata de uma reunião, realizada dia 27 de julho, com gerentes nacionais de vendas, na qual consta que "distribuidor que trabalha com a linha de laboratórios éticos não deve trabalhar com genéricos". A ata informa ainda a intenção de criar "um programa de qualidade contra genéricos para a mídia".
A procuradoria do Cade já chegou a um parecer sobre o caso. De acordo com a assessoria de Imprensa, houve infração dos laboratórios. Os documentos deverão ser encaminhados à Secretaria de Direito Econômico (SDE), após o presidente do conselho assinar o parecer. A procuradoria recomendou, também, que o caso seja encaminhado ao Ministério Público. Para o presidente do CRF-DF, Antônio Barbosa da Silva, essa ata é um "absurdo e prejudica uma lei que visa a favorecer o consumidor". "Isso só mostra o quanto as indústrias farmacêuticas são financeiramente poderosas", disse.
A maioria dos laboratórios representados na reunião faz parte da Associação Brasileira das Indústrias Farmacêuticas (Abifarma). O presidente da Abifarma, José Eduardo Bandeira de Mello, não acredita que as decisões que constam na ata sejam representativas das empresas, mas apenas dos funcionários. "Não creio que as empresas sequer tenham conhecimento dessa ata", afirmou. "Ingênuos" - Segundo ele, os funcionários envolvidos são "homens de venda" que foram "ingênuos". "Houve uma interpretação maliciosa dos fatos discutidos na reunião e ninguém vai assumir as conclusões da ata". Os Laboratórios Searle, Merck Sharp&Dohme e Eli Lilly informaram que os funcionários presentes na reunião não representam a posição das empresas. Além dessas empresas, estavam presentes na reunião representantes dos Laboratórios Abbott, Schering Plough, Roche, Biosintética, Bristol Myers Squibb, Hoescht, Bayer, Eurofarma, Organon, Glaxo Wellcome, Merck S.A., Astra Zeneca, Boeringher, Centeon, Sanofi, Janssen-Cilag, Wyeth-Whitehall e Byk.

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