O Conselho Regional de Farmácia do Distrito Federal (CRF-DF) denunciou ontem reajustes de 700 medicamentos entre julho e setembro. Três laboratórios teriam aumentado 49 remédios entre 6,11% e 35,92%, entre eles o Ácido Acetil Salicílico e a Dipirona.
O secretário-adjunto de Acompanhamento Econômico (Seae) do Ministério da Fazenda, Sérgio Portugal, negou ontem que os laboratórios tenham descumprido o acordo com o governo, que prevê a manutenção dos preços dos remédios nos mesmos níveis de 1º de junho. Portugal afirmou que dos 11.400 medicamentos, os 1.102 mais vendidos no Brasil (representam 90% do mercado), estão com os mesmo preços de junho.
Portugal afirmou que quatro indústrias farmacêuticas das 248 do setor que não aderiram ao acordo aumentaram os preços - os laboratórios Stiefel, Merck Sharp Farmacêutica, Igefarma Laboratórios S.A e Novaquímica Farmacêutica.
Sobre a lista do CRF-DF, ele creditou os aumentos a um erro de publicação da relação de preços na revista da Associação Brasileira do Comércio Farmacêutico (ABCFarma), enviada mensalmente às farmácias. No caso do Clarimex, Portugal disse que a lista da ABCFarma, que em junho custava R$ 25,68, teve o preço anotado equivocadamente em R$ 17,97 nos meses de julho e agosto e, em setembro, foi reduzido para R$ 20,28. ‘‘Na verdade houve uma redução de 21,03%’’, disse. O CRF, no entanto, apontou aumento de 35,92% no produto.
De acordo com Portugal, os preços dos remédios dos laboratórios IMA e Pharma, já estavam sendo praticados no mercado. No caso do laboratório Galderma, comentou que os remédios estão fora do acordo porque não são considerados medicamentos (sabonetes e antissépticos). Os três laboratórios enviaram suas relações de preços ao Ministério da Fazenda.
Hoje, a Secretaria de Acompanhamento Econômico vai divulgar em sua página na internet a relação dos 11,4 mil remédios com os respectivos preços. A medida, segundo ele, vai ajudar os consumidores a acompanharem os preços dos remédios incluídos no acordo firmado entre o governo e os laboratórios.
O secretário da Seae, Claudio Considera, explicou que a lista divulgada pelo presidente do CRF-DF, Antônio Barbosa, traz itens que não constam da Relação Nacional de Medicamentos (Rename) e, portanto, não fazem parte do acordo fechado entre o governo e a indústria farmacêutica. A maioria dos produtos tidos como farmacêuticos é, na verdade, cosméticos ou medicamentos de uso dermatológico. ‘‘A função do presidente do CRF é informar a população das coisas certas, e não criar confusão’’, disse Considera.

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