Washington – Prospecções de petróleo em zonas protegidas, flexibilidade nas regras contra a poluição e independência em matéria de emissão de gases: George W. Bush
invoca o crescimento econômico para justificar uma política questionada por defensores do meio ambiente.
O anúncio, ontem, de uma proposta de mudança dos acordos de Kyoto, que não impõe nenhuma obrigação aos empresários para não impor obstáculos à economia, caminha no mesmo sentido das decisões anteriores em matéria de meio ambiente, estimam as principais organizações ecologistas.
‘‘Lamentavelmente, o governo Bush usa o dia de São Valentim para dar um presente romântico aos poluidores industriais que financiaram sua campanha’’, declarou Carl Pope, diretor do Serra Clube.
Este governo ‘‘sustenta a política de poluição exigida pelas indústrias de energia’’ acrescentou o dirigente de uma das mais influentes organizações ecologistas americanas.
Discretos desde os atentados de 11 de setembro, os defensores do meio ambiente retomam sua combatividade, contra uma Casa Branca demasiado alinhada, segundo eles, aos interesses dos industriais.
‘‘Este governo representa má notícia para nosso ar, nossa água, nossa fauna, nossa flora e para o estado do meio ambiente’’, condenou o presidente da Wilderness Society, William Headows.
Entre os cavalos de batalha dos ecologistas figura o programa de retomada da produção energética nos Estados Unidos, porque permite a exploração dos recursos do subsolo, incluídas algumas reservas naturais.
Bush anunciou em maio de 2001 um plano energético relacionado ao aumento da produção de petróleo e da capacidade de refino, o relançamento da indústria nuclear e o desenvolvimento de novas tecnologias de exploração do carvão.
Aguarda-se com expectativa, além disso, uma decisão do governo sobre o Clean Air Act, sancionado há 30 anos, mas não regulamentado, que impõe severos limites às fábricas em matéria de poluição, se quiserem obter autorização para se expandir.
‘‘O governo quer enfraquecer esta lei que impõe às fábricas a obrigação de instalar modernos equipamentos contra a poluição quando querem se expandir’’, comenta o presidente do Serra Clube.
Ainda no setor energético, o governo escandalizou os ecologistas apelando nesta semana contra uma decisão judicial de 2001 que concede à Califórnia a capacidade de proibir qualquer nova prospecção de petróleo em seu litoral.
Entre os objetivos do governo figuram a redução das zonas protegidas, que cobrem mais de 230.000 km2, e a intenção de suavizar as regras de despoluição da água dos rios americanos, duas medidas tomadas durante o governo de Bill Clinton.

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