Crescimento não será apreciável
Os anos 80 foram considerados como a década perdida da economia brasileira por três motivos: o crescimento econômico acumulado ficou abaixo ao dos anos 70, a inflação chegou a extraordinários 2 mil por cento e os planos de estabilização patrocinados pelos sucessivos governos fizeram água. Mas que ninguém se surpreenda se os anos 90 terminarem com o mesmo rótulo. Previsões da Andima - Associação Nacional das Instituições de Mercado Aberto - indicam que o PIB acumulado da década chegará a no máximo 24,06% - cerca de 8 pontos a menos do que o registrado ao longo dos anos 80.
Na hipótese mais otimista o crescimento econômico do Brasil em 98 em termos de PIB não passará dos 2%. A Andima também antecipa os números de 1999, calculando que o PIB não crescerá mais do que 4%.
Há quem minimize os dados históricos que deram aos anos 80 o título de década perdida. Como o economista Paulo Mallman, diretor do BicBanco: ele considera que, em termos econômicos, a década de 80 de fato só terminou com o Plano Real, em 1994.
Para o economista Antônio Corrêa de Lacerda, o crescimento do PIB em 98 não deverá ser superior a 1%. Lacerda, que é presidente do Conselho Regional de Economia de São Paulo, acredita que o nível de atividades no próximo ano será fortemente afetado pela elevação dos juros e pela restrição orçamentária dos consumidores. Ele antevê também dificuldades na área empresarial, em consequência do aumento da inadimplência, o encarecimento do crédito, da manutenção dos estoques e do custo dos investimentos.
Da mesma forma, o economista considera que os altos juros reais e os efeitos do pacote fiscal devem influir na decisão de investimentos de empresas. Neste sentido, embora elogie o programa de combate à inflação do atual governo, o ex-ministro e economista Delfim Neto dispara a metralhadora giratória da oposição. Segundo o deputado do PPB, depois da implantação do Real, a equipe econômica negligenciou o ajuste fiscal. Isso produziu sucessivamente a alta das taxas de juros, o desestímulo às exportações, déficits comerciais e em conta corrente, crescimento das dívidas externa e interna e, por fim, levou o País à situação de vulnerabilidade que deu origem ao pacote.
Foi, segundo Delfim, uma aposta de risco que contribuiu para o baixo crescimento da economia e reduziu a oferta de emprego. Ele ataca: a prioridade do governo era a reeleição e, por isso, a ordem foi acreditar que sempre haveria mais trabalhadores contentes com a estabilidade do que desempregados em desespero.





