Rosa Moura, pesquisadora do Instituto Paranaense de Desenvolvimento Econômico e Social (Ipardes) e do Observatório das Metrópoles, descreve que a criação de subnúcleos é um processo histórico.
  ‘‘São José dos Pinhais, por exemplo, tinha algumas capacidades históricas. O que acontece é que os investimentos que são feitos atribuem novas características aos municípios. Há algumas décadas, São José dos Pinhais, Campo Largo e Araucária eram equivalentes. São José teve o seu perfil requalificado pela importância do aeroporto (Afonso Pena), pela instalação das montadoras, por ser uma região de passagem para Santa Catarina. Araucária, que era a menor das três, mudou totalmente sua característica com a refinaria (Presidente Getúlio Vargas). Campo Largo, por sua vez, ficou um pouco para trás, porque a ligação com o Interior, o escoamento do café, perdeu importância. Tornou-se mais interessante a ligação com o porto’’, afirma a pesquisadora.
  Dados do IBGE comprovam que o crescimento das RMs é heterogêneo. Entre 2004 e 2008, só 21 dos 59 municípios metropolitanos do Paraná tiveram variação do PIB superior à das cidades-sedes (Curitiba, Londrina e Maringá).
  Rosa aponta que, no crescimento de uma RM, alguns municípios são requalificados e outros perdem. ‘‘Por exemplo, a instalação de um aterro sanitário é extremamente importante para uma região metropolitana, mas o local onde ele é colocado perde valor do solo’’, explica. ‘‘A partir do momento em que uma região metropolitana tem crescimento expressivo, várias questões deixam de preocupar apenas um município e passam a ser de um conjunto de municípios: transporte, uso do solo, moradias, gestão ambiental.’’
  ‘‘É importante lembrar que, quando um município ganha qualificação e se torna polo de atração, também passa a concentrar mais pobreza. Curitiba tem, assim como Londrina e São José dos Pinhais. Coordenadorias metropolitanas foram criadas e, mesmo com pouca estrutura, fizeram um trabalho seriado. Mas, mudando o governo, muitas ações são descontinuadas. O caos metropolitano não é um caos. É consequência de descaso histórico.’’ (F.G.)

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