São Paulo, 24 (AE) - O presidente da Associação Brasileira de Embalagem (Abre), Sérgio Haberfeld, alertou hoje que as expectativas de crescimento do setor em 4%, este ano, sobre o resultado de R$ 12 bilhões em 1999, estão sendo revistas. "Por causa do tumulto nas bolsas Nasdaq e internacionais de capitais, há risco de queda brutal, o que provocaria incremento zero no setor de embalagens brasileiro, este ano", argumentou Haberlfeld ao avaliar o cenário que marca a Brasilpack, segunda edição da feira internacional de embalagens, aberta hoje no Parque Anhembi, em São Paulo. A Abre é uma das associações que apóiam o evento, que se estenderá até o próximo dia 28.
O preço das embalagens deverá ficar estável este ano, segundo Haberfeld. Em 1999, as de papel e cartão tiveram aumento de 20%, as de plástico, 22%, as de metal, 18% e as de vidro, 18%. Ele disse que os produtores de embalagens não têm mais alta de custos e reajustes represados a repassar este ano. Mas, para isso, o preço das commodities celulose (US$ 650 a US$ 700, por tonelada), petróleo (de US$ 25 a US$ 28, o barril) e alumínio (que depende da pressão do consumo na Rússia, sem previsão) terão que se manter estáveis.
Já o vidro, mais do que os outros insumos, depende somente da oferta e demanda internas, pois não é cotado como commoditie. "O que determina a alta de preço é o consumo, e no Brasil hoje há mais oferta de PET e alumínio do que demanda", ressalta o presidente da Abre.
Substituição - A Kpack, de Taboão da Serra, mostra na Brasilpack um papelão ondulado feito de material reciclado, que segundo o fabricante vai substituir o isopor, que é produzido a partir de matéria-prima petroquímica e o gás CFC é que o torna macio. Por lei, o CFC será abolido do Brasil até 2005. E há países do hemisfério norte que não aceitam mais a importação de produtos cuja embalagem conta com isopor para proteção, explica o diretor da Kpack, Carlos Gouveia.
Com tecnologia da norte-americana CPP Aquisition Group, da qual se tornou licenciadora para a América do Sul, a Kpack investiu US$ 1 milhão para implantar a unidade com capacidade instalada de 6 mil toneladas/ano de papelão ondulado. O faturamento previsto para este ano é de R$ 18 milhões e o lucro líquido calculado em R$ 1,8 milhão. A empresa prevê investimentos de US$ 350 mil este ano para licenciar outras indústrias em Manaus, Santa Catarina e na Argentina. Ou seja, em vez de exportar o produto, a empresa vai vender ao continente a nova tecnologia.
Para o presidente da Associação Brasileira da Indústria do Plástico (Abiplast), Merheg Cachum, esse exemplo de substituição de matérias-primas é o risco que a indústria de plásticos corre por causa do aumento das matérias-primas. "Isso tem que ser analisado para que os produtores acordem para o que está acontecendo com o setor", avalia Merheg Cachum.
No ano passado, o preço das resinas teve alta de 70% a 110%. Este ano, houve alta em janeiro, mas a indústria de resinas não passou o reajuste da nafta, aplicado pela Petrobras em março. Em primeiro de maio o Ministério de Minas e Energia já avisou que terá novo aumento. O mercado estima que o incremento será de 10%.
A Brasilpack conta com 390 expositores do Brasil e de 22 países, como Itália, Japão e França. No primeiro dia de feira, os corredores estavam praticamente vazios e alguns visitantes reclamavam a falta de novidades.

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