São Paulo, 11 (AE)- A indústria de alimentos superou todas as expectativas e encerrou o ano de 1998 com crescimento na produção física de 4,96% e uma receita da ordem de US$ 73,5 bilhões ante os US$ 70,2 bilhões registrados no ano anterior. Em meados do ano o setor projetava um aumento de, no máximo, 2,5%, chegando a refazer os cálculos para baixo, no início do segundo semestre, quando estimou resultado negativo de 0,5%.
Apesar da crise econômica, este segmento mantém o bom andamento dos negócios e prevê um primeiro trimestre gordo. Em janeiro, por exemplo, surpreendeu novamente, acusando crescimento de 6% sobre o mesmo período do ano passado. Os dois próximos meses prometem manter taxas relativamente altas. "Fevereiro, apesar do Carnaval, fecha com aumento de no mínimo 2% enquanto março promete repetir ou até mesmo ultrapassar os 6%", afirma Dênis Ribeiro, economista da Associação Brasileira da Indústria de Alimentos (Abia).
"As vendas de Natal salvaram a indústria, que vinha apresentando altos e baixos até setembro", comemora Ribeiro. Só neste período, ressalta, a produção ficou 20,9% acima a verificada em dezembro de 1997. "Foi o melhor Natal dos últimos anos", diz.
Ribeiro entende que o varejo, que vinha comprando a conta gotas, apostou num Natal mais gordo e acertou."O consumidor reviu compras e deu prioridade apenas à alimentação, principalmente de produtos básicos", diz.
Apesar dos reajustes de preços embutidos nas novas tabelas, Ribeiro não acredita que as negociações entre indústria e comércio poderão afetar o resultado previsto de variação de 6% na produção física do setor. "Existe uma queda de braço entre os segmentos, mas sempre existe um consenso", prevê.
Os campeões - Pesquisa da entidade revela que óleos e gorduras foi um dos principais segmentos responsáveis pelo excelente desempenho do setor, com crescimento de 17%. Desidratados e congelados aparecem em segundo lugar, com incremento de 11%. A Sadia, líder no setor de alimentos, confirma esses dados. Os alimentos congelados, que tiveram uma participação de 18% no faturamento da área de industrializados da empresa no ano passado, contra 13,5% em 1997, "deverão, neste ano, ficar muito superiores a 20%", afirma Luiz Murat, diretor de Finanças e Relações com o Mercado.
A produção, que em 1998 atingiu 41 mil toneladas, deverá ter um incremento de 25% neste ano e o volume exportado crescerá cerca de 10%. "A média de crescimento dos últimos 3 anos tinha ficado em 12%".
A Bel Cook, empresa de pequeno porte, que sempre atuou no setor de massas e salgados congelados e dona de uma receita de R$ 9 milhões, 50% em 1998 sobre o ano anterior, e tende a fechar o ano com aumento acima de 60%, informa Roberto Atério, presidente da empresa.
O terceiro no ranking ficou por conta da proteína animal com aumento de 7,2%. A produção de frango, por exemplo, subiu 0 84% no mesmo período mostram os dados da Associação Brasileira dos Produtores de Pinto de Corte (Apinco). A produção aumentou de 44.460 milhões de toneladas em 1997 para 44.498 milhões de toneladas no ano seguinte.
Segundo levantamento da Abia, apenas dois segmentos apresentaram desempenho ligeiramente negativo ao longo do ano passado: bebidas em geral recuou 0,4% enquanto laticínios ficou 0,4% inferior ao mesmo período do ano passado.
Onofre Portella, gerente de Assuntos Corporativos da Danone S/A, vice-líder no segmento de lácteos, com uma fatia de 30%, afirma que o volume de volume de produção física da empresa subiu 3% e gerou uma receita da ordem de US$ 425 milhões.

mockup