Brasília, 17 (AE) - As importações brasileiras de leite em pó argentino cresceram 60% de janeiro a agosto deste ano em comparação com igual período do ano passado, apesar da desvalorização cambial de janeiro, crescendo de 57 mil para 91 mil toneladas. A informação foi dada hoje pela Confederação Nacional da Agricultura (CNA), em boletim de seu Departamento de Comunicação Social. O aumento, segundo a CNA, ocorreu porque o leite argentino está sendo vendido por preços abaixo do custo de produção, o que comprovaria a prática de dumping. Diante disso, o presidente da CNA enviou ontem ao ministro da Agricultura, Pratini de Moraes, ofício pedindo apoio para que seja imposta uma tarifa compensatória sobre o produto comprado do país vizinho.
Uma investigação de dumping já aberta pelo Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior estima que a tarifa para a Argentina seria de 20,7%, mas esta taxa só poderá ser adotada a partir de 23 de outubro, quando se completarão dois meses da abertura do processo. Levantamento feito pela CNA mostra que o preço médio do leite em pó argentino, que era de US$ 2.100 a tonelada em agosto do ano passado, caiu para US$ 1.737 este ano, enquanto a tonelada de leite desnatado está em torno de US$ 1.589.
Ainda conforme o levantamento da CNA, as importações brasileiras de leite e derivados procedentes da Argentina alcançaram 242,7 mil toneladas de janeiro a agosto deste ano, o que representou uma redução de 11,2% em comparação com as 273,3 mil toneladas importadas em igual período do ano passado. A CNA considera insignificante esta redução, pois, segundo ela, os produtores brasileiros esperavam que ela chegasse a 40% a 50%.

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