Crescimento de 4% não reduzirá desemprego
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segunda-feira, 13 de dezembro de 1999
Por Liliana Pinheiro 
São Paulo, 13 (AE) - Mesmo que a economia brasileira cresça 4% no ano que vem (a otimista previsão oficial de aumento do Produto Interno Bruto (PIB), o número de desempregados aumentará dos atuais 7,7 milhões em todo o País (IBGE) para 8 milhões. Se a economia crescer só 2%, como prevêem muitos analistas, esse número chegará a nada menos do que 8,3 milhões de pessoas no ano 2000. As estimativas foram apresentadas hoje pelo professor de Economia da Universidade de Campinas (Unicamp) e autor de vários trabalhos sobre desemprego, Márcio Pochmann.
Segundo ele, para que o desemprego ficasse estacionado na taxa nacional atual apurada pela Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD-IBGE), estimada em 9,8% da população economicamente ativa, a economia deveria crescer pelo menos 5 5%. Isso porque, além do desafio de dar conta do atual estoque de desempregados, o País recebe anualmente 1,5 milhão de novos candidatos a um emprego, geralmente jovens.
Pochmann divulgou seu mais novo trabalho: A Epidemia do Desemprego no Brasil, feito com base em dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) e do Ministério do Trabalho, no qual mostra que a desocupação cresceu para todas as faixas etárias e também para trabalhadores com todos os níveis de escolaridade, especialmente para os que têm mais tempo de estudo.
O número de desempregados com idades entre 25 e 49 anos, por exemplo, aumentou 291% em dez anos. Já a quantidade de desempregados que têm entre 15 e 24 anos aumentou 258%. Para os que tem 50 anos ou mais, o crescimento do desemprego foi terrível: 636%, segundo Pochmann.
Mas o mais supreendente no trabalho do economista foi a constatação de que pessoas com mais escolaridade estão sofrendo mais com o desemprego. "Ao contrário do que indica o senso comum, a taxa de desemprego tem sido mais expressiva para pessoas com escolaridade entre 4 e 7 anos do que para os trabalhadores com menos de um ano de acesso à educação", observou Pochmann.
Desemprego intelectual - O número de desempregados com menos de um ano de escolaridade aumentou 188% entre 1989 e 1998. O estudo mostra ainda que o número de desempregados com oito anos ou mais de escolaridade cresceu três vezes mais: 620%. O aumento do número de pessoas desempregadas com escolaridade média, entre 4 e 7 anos, foi de 268%.
"O desemprego atual caracteriza-se por ser mais de natureza intelectual (vinculado à maior escolaridade e capacitação técnica) do que de empregabilidade de mão-de-obra com baixa qualificação", diz o estudo. Pochmann lembrou que para pessoas com menos de um ano de escolaridade, o índice de desemprego foi, em 1998, 49% inferior ao índice nacional.
Esse fenômeno, segundo ele, pode ser explicado pela tipo de emprego que o Brasil está conseguindo criar, de baixa qualidade e remuneração, geralmente no setor de serviços.


