São Paulo, 7 (AE) - Está no aumento das exportações a expectativa de crescimento dos fabricantes de calçados no Brasil. A perspectiva da Associação Brasileira das Indústrias de Calçados (Abicalçados) é de que já no segundo semestre as vendas para outros países superem em 15% o total de 150 milhões de pares exportados em 1998. Até maio deste ano, foram mandados para fora do País 61,5 milhões de pares, o que corresponde a US$ 518 milhões.
O setor está entre os cinco que mais empregam no Brasil, diretamente são cerca de 200 mil pessoas em quase 6 mil fábricas de sapatos de todos os portes. É responsável pela produção anual de 550 milhões de pares de sapatos, dos quais, 400 milhões são absorvidos pelo mercado interno. Em 1998, a venda de calçados movimentou em torno de US$ 7 bilhões. "O consumo no Brasil só vai aumentar se o poder aquisitivo da população também for maior", afirma o novo presidente da Abicalçados, Nestor Herculano de Paula. "Do contrário, a saída para o crescimento das vendas está nas exportações."
De acordo com ele, um dos motivos que impedem a expansão no mercado externo mais rapidamente são as taxas acrescentadas ao produtos desde o comércio da matéria-prima. "No fim da cadeia produtiva, o calçado tem entre 17% e 20% de seu valor final correspondentes a impostos", diz Herculano de Paula.
Conforme os cálculos do presidente da Abicalçados, se houvesse exoneração de 10% das taxas, seria possível dobrar o volume exportado, oferecendo um preço mais competitivo no mercado externo.
Os Estados Unidos são os maiores compradores dos calçados brasileiros. Consumiram, no ano passado, mais de 82 milhões de pares, o que correspondeu a quase 70% do total das exportações. Para a Argentina, foram vendidos 11 milhões de pares. Para este ano, a previsão é de que o mercado argentino consuma 20 milhões de pares. "Desde o início deste ano conseguimos que os calçados brasileiros entrassem na Argentina sem taxas da mesma maneira como já ocorria há algum tempo com relação aos produtos deles no Brasil", conta.
As indústrias do Rio Grande do Sul são responsáveis por 86% do total das exportações brasileiras. Em seguida estão as paulistas (7,4%) e depois as cearenses (4,9%). Para o presidente da Abicalçados, a desvalorização do real foi um fator que contribuiu em muito para a ampliação das vendas para o exterior. "Mas ainda podemos crescer muito mais nesse mercado", diz.
Com esse objetivo, a Abicalçados vai contar com o apoio do ex-governador gaúcho Antônio Britto e do ex-secretário de Comércio Exterior José Roberto Mendonça de Barros para desenvolver projetos a serem apresentados ao governo em benefício do setor. "Marquei uma audiência com o presidente Fernando Henrique e ele demonstrou interesse pela nossa área", adianta Herculano de Paula.

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