Crescimento da indústria em outubro foi de 0,08%, revela CNI
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quarta-feira, 08 de dezembro de 1999
Por Irany Tereza 
Rio, 08 (AE) - O faturamento da indústria teve um crescimento quase inexpressivo em outubro, com aumento de apenas 0,08% em relação a setembro, segundo dados da Confederação Nacional da Indústria (CNI). Os indicadores, divulgados hoje, contrastam com as taxas do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que medem a produção e apontaram uma uma recuperação de 1,6% em outubro.
Para o coordenador da Unidade de Política Econômica da CNI, Flávio Castelo Branco, os dois indicadores não são incompatíveis, se observados num período de tempo mais longo. Segundo ele, o aumento da produção não se refletiu nas vendas provavelmente por causa da valorização do dólar em outubro, que pode ter adiado as encomendas do Natal.
"Houve, de certo modo, surpresa por não se confirmar a trajetória de retomada da produção industrial em agosto e setembro", disse Castelo Branco. Ele explicou que a diferença da variação de outubro em relação aos dados do IBGE se deve à metodologia: a CNI mede vendas e o IBGE, produção líquida. "Em agosto e setembro, o crescimento, pelo IBGE, foi moderado", explicou. "Por isso o índice de outubro ficou mais alto." O economista lembrou que a indústria vem mantendo um padrão oscilante desde o início do ano, mas, na média, observa-se uma tendência de recuperação. Retirados os efeitos sazonais, o indicador de outubro, de acordo com a CNI, registrou queda de 2 47% nas vendas, depois de dois meses consecutivos de expansão.
Segundo Castelo Branco, isso caracteriza "um quadro de acomodação" já que a queda não foi suficiente para reverter o crescimento de agosto (3,58%) e setembro (0,95%). Para novembro, é esperado um indicador positivo, com as encomendas de Natal. A indústria vai iniciar o ano 2000 sob um cenário melhor, com um fim de ano estável, sem as turbulências que maracaram os dois últimos começos de ano.


