Santiago, 27 (AE-ANSA) - A longo prazo, o poder dos Estados Unidos não poderá sobreviver ao crescimento futuro da economia global. A opinião é de Eric Hobsbawn, professor emérito da Universidade de Londres, em artigo publicado na última edição da revista da Cepal.
O professor comenta de maneira bastante crítica a liderança norte- americana. Ele diz que os EUA têm hoje uma posição sem precedentes. "Não existe outro Estado ou combinação de Estados capaz de enfrentá- los em termos militares", observa o professor.
Para Hobsbawn, no final do século 20 o centro de gravidade da economia mundial começou a se deslocar dos países capitalistas originais para o Terceiro Mundo. "Já não existe a divisão entre Primeiro Mundo, que concentra a maior parte do produto industrial e sua comercialização e o Terceiro, ligado ao primeiro como produtor de matérias", diz.
E acrescenta: "A superioridade do Primeiro Mundo reside agora em operar como um conglomerado financeiro, ao invés de um centro produtivo, e em seu quase monopólio da pesquisa e o desenvolvimento científico tecnológico".
Hobsbawn qualifica os Estados Unidos como "um império ideológico que sonha em transformar o mundo à sua própria imagem e semelhança".
O professor descreve a atitude da superpotência como a de "proteger e impulsionar o capitalismo norte-americano por meio da ação política". Por essa razão, escreve. "a política dos EUA tem sido intervencionista, primeiro no Hemisfério Ocidental, e agora globalmente".
Para o professor, a diminuição da hegemonia norte-americana se dará porque "está acabando o consenso dos economistas, a utopia do capitalismo sem problemas, do fundamentalismo neoliberal".

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