Moscou, 08 (AE-AP) - A controvérsia sobre o desaparecimento do jornalista russo Andrei Babistki, da Radio Liberty - patrocinada por americanos - intensificou-se hoje (08) com colegas seus afirmando temer que ele esteja morto.
O governo russo assegura que Babitski foi entregue a grupos rebeldes no dia 3, em troca de cinco soldados russos. O serviço de segurança russo divulgou uma fita de vídeo da suposta troca. Mas as forças chechenas negam que ele esteja em seu poder.
Hoje, a União das Forças de Direita, partido que expressou seu apoio à candidatura do presidente em exercício Vladimir Putin, exigiu uma investigação oficial sobre os fatos, caso contrário "considerará o ocorrido um atentado do governo à liberdade de imprensa e uma tentativa de calar todos os que têm um ponto de vista diferente do oficial".
Em uma declaração sem precedentes desde a dissolução da União Soviética, em 1991, a Associação dos Correspondentes Estrangeiros na Rússia condenou a ameaça que o caso Babitski representa para a democracia e frisou que toda a responsabilidade pelo destino dele recaiu sobre as autoridades russas, representadas pelo presidente interino".
Um comentário feito por Putin sobre a troca de Babitski a um grupo de jornalistas, no fim de semana, elevou os temores. Putin disse que agora "ele vai ver nas mãos de quem foi cair". Além disso, a renúncia, hoje, do primeiro vice-ministro do Interior, Mikhail Kolesnikov, foi interpretada por políticos e jornalistas como uma tentativa de deixar Putin à margem do escândalo e elevou os temores de que Babitski esteja morto.
Apenas quatro dias depois de altos oficiais russos terem anunciado que haviam entregue Babitski aos chechenos, a procuradoria-geral emitiu uma ordem para que ele retorne ao país para ser interrogado, sem especificar os motivos de estar atrás dele. A ação da Justiça levantou suspeitas entre parentes e amigos do jornalista de que o governo possa estar tentando acobertar sua morte nas mãos de militares russos.
Sua família teme que a troca por soldados tenha sido uma montagem dos serviços secretos russos para fazê-lo desaparecer, pois suas reportagens críticas sobre a ação das forças federais incomodaram o governo russo. O presidente checheno, Aslan Maskhadov, disse em entrevista à Radio Liberty ter entrado em contato com todos os seus comandantes e nenhum deles está com Babitski.
Enquanto isso, o porta-voz do Kremlin para assuntos da Chechênia, Serguei Yastrzhembski, disse que os rebeldes libertaram cinco soldados em troca de Babitski. Essa foi a terceira versão oficial para a troca, que, segundo Yastrzhembski, foi realizada com o consentimento do jornalista. Desde o dia 15 de janeiro, quando telefonou de Grozny pela última vez para a rádio, nem a família de Babitski nem seus patrões tiveram notícias dele.
Logo depois de partir de Grozny - então, sob controle dos rebeldes -, o jornalista foi preso por militares russos. Agora, alguns de seus colegas suspeitam que as autoridades russas tenham encenado uma troca falsa para esconder o paradeiro dele depois de ter sido preso supostamente por não possuir credenciais adequadas e ter passado um tempo com os rebeldes.
Seus advogados e grupos de defesa dos direitos humanos observam que, mesmo no caso de ter sido de fato entregue a chechenos, como assegura o governo, isso viola a Convenção de Genebra sobre tratamento a civis em uma zona de guerra. "Se de fato o governo entregou um de seus cidadãos às pessoas que descreve como bandidos e terroristas, isso é um ultraje", afirma Chrystyna Lapychak, coordenadora do comitê de proteção aos Jornalistas, entidade com sede em Nova York. "Ele era um jornalista, não um prisioneiro de guerra."
Empregado há dez anos na Radio Liberty, Babitski tem reputação de destemido, a ponto de ser imprudente. Foi um dos poucos jornalistas a fazer reportagens nas áreas sob controle dos separatistas consideradas favoráveis aos chechenos.

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