Curitiba - De janeiro a outubro deste ano, a Central de Atendimento da Mulher do Governo Federal (Ligue 180) registrou 615 791 atendimentos, sendo 95 549 relatos de violência O número foi 128% maior se comparado com o mesmo período de 2009, quando foram realizados 269 258 atendimentos No ano passado, em Curitiba, 9 176 mulheres procuraram a delegacia especializada, o equivalente a 25 casos por dia Entre 2008 e 2009 houve aumento de 20% nos casos de mortes violentas de mulheres em Curitiba e na Região Metropolitana O dado foi apresentado pela Secretaria Estadual da Saúde, durante o lançamento da Rede Intersetorial de Atenção à Mulher em Situação de Violência no Paraná
Para discutir o problema, o Ministério Público (MP), por meio do Centro de Apoio Operacional das Promotorias de Justiça Criminais, do Júri e de Execuções Penais, do Poder Judiciário do Paraná e da Escola de Magistratura do Estado, realizou o I Encontro Estadual sobre a Aplicação da Lei Maria da Penha O encontro começou ontem e termina hoje, na sede do MP, em Curitiba
Passados quatro anos da sanção da lei, é possível verificar que houve aumento no rigor nos julgamentos Mas isso não reflete na diminuição dos casos em todo o Brasil Segundo a juíza Luciane Bortoleto, do Juizado da Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher, não há estrutura adequada para tratar os agressores que, após cumprirem pena, voltam para a família, ou constituem outra, e repetem os mesmos problemas Em contrapartida, hoje as mulheres levam menos tempo para denunciar ''Percebo que uma grande parte das mulheres procura ajuda logo no início das agressões, sem sofrer durante anos Além disso, as denúncias não aparecem apenas nas famílias de renda baixa, mas também nas classes A e B'', explica
A juíza destaca a importância da ressocialização do agressor para evitar que novos casos ocorram ''Existe serviço social para a vítima, mas não há atendimento ao agressor'' Um projeto piloto é realizado pelo juizado, em parceria com a PUC-PR, para que as pessoas acusadas passem por atendimento especializado
Com este projeto, a professora Maria Cristina Neiva de Carvalho, coordenadora do curso de especialização em psicologia jurídica da instituição, elaborou um perfil dos agressores que são atendidos pelo juizado especializado Em média, 98% dos acusados são do sexo masculino e 60% deles têm entre 24 e 36 anos A grande maioria tem escolaridade baixa e nem sequer sabem o que prega a Lei Maria da Penha Este estudo aborda apenas os agressores que passaram pelo juizado

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